Notícias, entrevistas, dicas, reportagens, comentários e um mundo de informações sobre quadrinhos.
2/23/2010
2/19/2010
Site vende estátua do Wolverine





O site Sideshow está disponibilizando uma fantástica estátua do Wolverine, em uma bela pose de guerreiro. Com uma roupa amarela, sunga e botas azuis e cinto vermelho, o personagem da Marvel chama a atenção dos fãs. O uniforme vem com tecido e cinto em couro legítimo. Mas o que realmente chama a atenção, é a feição de fúria estampada no rosto do personagem. É ver para crer.
A estátua tem 43 cm de altura x 28 cm de largura. A peça custa $ 299,99 dólares e está disponível para venda.
2/11/2010
Stan Lee cria nova HQ

O genial Stan Lee, 87 anos, co-criador de alguns dos super-heróis mais famosos do mundo, está escrevendo uma nova série de histórias em quadrinhos, na qual ele próprio tem um dos papéis principais.
A série é sobre sete aliens que se descobrem presos na Terra depois de sua nave espacial sofrer um acidente. Ele se torna líder dos aliens e os ajuda a retomar suas vidas na Terra, como super-heróis.
Com certeza a HQ vai pegar e sem dúvida poderá se tornar uma série com revista própria.
2/01/2010
Entrevista: Natalia Forcat

Acho que todo desenhista já nasce desenhando, é uma coisa que vem no sangue, como gostar de doces mais do que salgados e essas coisas. Quando se é criança, se desenha com mais prazer porque não há ninguém do lado questionando o estilo ou criticando a técnica, é puro prazer e descobrimento. Eu, particularmente, sofri um pouco quando entrei na escola primaria, pois a minha professora me proibiu de desenhar. Segundo ela, as outras crianças poderiam ficar inibidas porque meu desenho estava um pouquinho mais desenvolvido e assim fui obrigada a desenhar pessoas feitas de “palitos e bolinhas”. Lembro que isso foi terrível para mim, já que na época eu tinha 6 ou 7 anos. Na adolescência, comecei a desenhar umas coisas “mutcho loucas” , com alguma influência do surrealismo, mas usando técnicas do cartum. Mais tarde comecei a fazer quadrinhos de forma amadora , bastante influenciada pela revista El Vibora (Espanha), gostava muito e ainda gosto do trabalho de Nazario e as aventuras de Ranxerox (Tamburini e Liberatore) e quadrinhos underground americanos como os de Robert Crumb. Foi nessa época que publiquei uns poucos trabalhos na Revista Fierro, num suplemento para novos talentos, várias ilustrações na Revista Cerdos & Peces e participei de uma coletiva no Centro Cultural Recoleta antes de resolver que definitivamente não tinha nascido para morar na Argentina e me mudar para o Brasil. Cheguei no Brasil com uma pasta muito esquisita, cheia de desenhos de estilos insólitos, tudo muito underground e “punk”. Fui parar na Revista Animal, que infelizmente bem naquela época tinha fechado. Logo depois comecei a ilustrar alguns jornais sindicais do PT e na Revista Isto É Minas.
Por que você acha que a maioria dos desenhistas são homens?
Será mesmo? Mariza, Cahu, Priscila Farias, Lúcia Brandão, Cris Burger, Jinnie Pak, Eva Furnari, Maitena, Laurabeatriz…e quantas outras? Não tenho certeza se há muitos mais desenhistas homens do que mulheres, talvez haja mais desenhistas e cartunistas homens conhecidos pelo grande público, com um trabalho autoral, muitas vezes mais voltado para a área política, mas eu também conheço muitas desenhistas mulheres trabalhando na área de livros infantis, animação, mangá, livros didáticos, arte final, etc, só que nessas áreas o nome do artista não é tão divulgado, aparece em letras pequenas num canto do livro ou da revista e ninguém lê. Sempre sugiro que algum estudante faça uma tese de mestrado sobre este assunto, com uma boa pesquisa sobre a produção nacional ou, internacional, para usarmos como referência, mas ate agora não consegui convencer ninguém.
Fale um pouco sobre os seus trabalhos nas revistas que você participou:
Na revista Show Bizz, que naquela época se chamava apenas Bizz, cheguei a fazer algumas ilustrações naquele estilo mais quadrinho como eu fazia na Argentina, assim como na Revista Caros Amigos. Na Revista Caricia arrisquei a fazer um estilo que eu não dominava muito, meus desenhos eram pesados e meus personagens tinham umas caras muito feias, todos eram deformados, cheios de verrugas e pêlos, tinham seios exagerados, etc…Rsss! Mas acabei me dando muito bem naquele estilo “teen”, e trabalhei por 4 anos desenhando a personagem Tininha Hortelã, e isso me abriu muitas portas para o desenho infantil. Outro trabalho que eu gostei muito de fazer foi o da Revista da Folha, a personagem Clô. Trabalhei na Gazeta Mercantil quando morei em Fortaleza. Foram quase três anos fazendo ilustrações diárias, algumas vinhetas, e eventualmente uma charge ou um bico de pena. O fato de ter que fazer ilustrações diárias foi uma experiência interessante pois você fica em forma, como quem malha todos os dias.
E as criações de capas de Cds e livros infantis?
As capas de Cds foram produzidas para a Paradoxx, através do estudio de design gráfico Quarto Mundo. Foi muito bacana pois tive a oportunidade de experimentar técnicas e materiais diferentes, como massinha, montagem, confecção de objetos de papel maché, esculturas, colagens. Foi uma experiência muito enriquecedora em termos de técnica. Atualmente estou trabalhando com um amigo meu, roteirista e ilustrador, produzindo material para livros infantis com muito carinho, em breve estarão nas prateleiras!
Como toda criança, adorava assistir desenhos da Disney, também gostava dos gibis de Quinterno e Garcia Ferrer: Patoruzú, Isidoro, Hijitus, mas tarde de Quino: Mafalda e os quadrinhos de Fontanarrosa: “Las aveturas de Inodoro Pereira y su perro Mendieta” e “Boogie, el aceitoso”. Ao crescer me apaixonei pelo mundo dos quadrinhos chamados de underground, tanto europeus como americanos, mas não acho que tenham me influenciado tanto no resultado final do meu trabalho, talvez sim no começo da minha profissão.
Acho legal, sim, sobretudo para despertar o interesse pela leitura nas crianças pequenas, mas também acho fundamental a leitura de livros. Hoje em dia parece que existe uma tendência para dar tudo digerido e simplificado para as crianças. Parece haver uma obsessão para transformar a educação em algo necessariamente divertido. Não entendo, acho que as crianças têm que crescer sabendo que nem tudo vai ser tão divertido assim na vida o processo de aprendizagem pode ser custoso e difícil. Ao meu ver, a educação está deixando de lado o conteúdo, simplificando demais. Hoje em dia tem que ser quase um palhaço ou um ator para conseguir prender a atenção dos alunos . Pode- se usar o quadrinho, por exemplo, para fixar algum fato histórico, para enriquecer o currículo escolar, para ensinar às crianças a fixar a atenção, para estimular o prazer pela leitura mas não se pode, de forma alguma, dispensar os livros, as crianças têm que aprender a interpretar textos mais longos e complexos. Não podem ter medo dos livros! Você pode ate achar estranho eu dizer isto, gostando tanto de quadrinhos mas o fato é que cada vez as crianças aprendem a ler mais tarde e lêem menos. Isso me assusta, quadrinhos podem ajudar a mudar esse quadro desde que sejam usados criteriosamente.
Como você acha que anda a cultura no Brasil em relação aos outros países?
O Brasil é um país com uma riqueza cultural imensa e muito forte , com muita personalidade. Isso sempre me chamou a atenção. Acho que é um país musical e visual e talvez por isso, os quadrinhos tenham tudo a ver com o Brasil.
E onde está o nosso lado forte?
O lado forte eu penso que é a música, alem de ter personalidade e qualidade, é insuperável!
E o nosso lado fraco?
O que precisa ser fortalecido, assim como no resto de América Latina, é a educação. Os governos precisam investir de verdade em educação, em programas de alfabetização para adultos, em educação com conteúdo, questionadora e que ensine a pensar.
Eu leio muito e indico o livro "Desvendando os Quadrinhos - Autor: Scott MacCloud, Editora: M.Books. Você indica algum livro que trás referência aos quadrinhos ou a arte em geral?
O livro do Maccloud é muito interessante mas eu gosto de indicar e ler quadrinhos mesmo. Durante algum tempo frequentei a Gibiteca Henfil, quando ficava no outro local, perto do Metrô Vila, mas infelizmente hoje se encontra meio abandonada e tem poucos títulos. Para “desvendar “ os quadrinhos recomendo ler : Hugo Pratt, Will Eisner, Moebius, Guido Crepax, Milo Manara, H.G. Oesterheld, Enrique e Alberto Breccia.
Fale sobre os seus prêmios e participações em salões de humor?
Participei do Primeiro Concurso Nacional de Quadrinhos (HQ BRASIL) ficando com o primeiro lugar na categoria tiras de jornal (roteiro do Paulo Batista) e tive cartuns selecionados no Salão de Piracicaba e no Salão Pernambucano de Humor no ano 1999 e 2003.
O imbróglio da Internet no mundo dos fanzines
Muitos editores de fanzines alegam que resolveram partir para a iniciativa de publicar algo, movido principalmente pela insatisfação de não encontrar nada que lhes agradassem em banca. Um dos fatores mais problemáticos para quem edita fanzine, é sem dúvida a venda do seu produto. Como vender algo em que todos os leitores são basicamente também editores? Viver de permuta é algo complicado. A impressão é a alma do negócio e imprimir um zine com 40 páginas custa caro. Entende-se por aí, que permutar publicações é algo que não mantém um fanzine por muitos números. Outro problema enfrentado pelos editores, é quanto a distribuição. O custo de remessa tem subido muito. Os Correios reajustam as tarifas com certa freqüência e muitos editores ficam inviabilizados de prosseguirem com suas publicações. Se o editor tem recursos, vai ter uma tiragem dos sonhos, e a distribuição conseqüentemente melhora. Mais vendas, mais divulgação, mais anunciantes e assim o caminho segue.
*Alex Sampaio é colecionador de gibis, editor do zine Made in Quadrinhos e colunista de diversos sites na Internet.
O Pós Modernismo nos Quadrinhos

Os últimos vinte e cinco anos do século XX podem muito bem ser chamados de “era da desilusão”. Após um começo de século em que se tinha grandes esperanças na guerra, veio um meio de século em que se tinha grandes esperanças na paz, culminando com o tempo dos hippies, do “flower power” e do “paz e amor”. A partir dos anos setenta, porém, perdeu-se a esperança num futuro brilhante e passou-se a viver exclusivamente para o presente, procurando apenas nos adaptar e habituar a viver com as imperfeições, erros e misérias que a vida nos destina, desde as pichações nos muros até o tráfico de drogas desenfreado, praticamente em todas as grandes cidades do mundo.
Nesse contexto, as histórias em quadrinhos tiveram que se modificar, já que um herói tornou-se uma coisa inviável num mundo em que o indivíduo significa muito pouco (e a propaganda insiste em apresentar o indivíduo como algo ainda mais insignificante) e há muito pouca aventura possível para aqueles que não controlam o poder. Assim sendo, as histórias em quadrinhos pós-modernas mostram: violência desenfreada; ignorância e escatologia, impotência e servidão, o nada do fim do nosso século.
A ultra violência é talvez a característica mais marcante dos heróis das histórias em quadrinhos depois de 1980. Isso é facilmente explicado pela falência da sociedade civil e pelo descrédito do cidadão comum na lei.
Num mundo em que o heroísmo não tem mais lugar, em que o sentimento de impotência do indivíduo diante de coletividades e corporações tentaculares é opressivo, resta ao herói bem pouco espaço para existir. Neste mundo desindividualizado, o herói passa a ser um exilado, um “outcast”, um ser marginalizado, já que a sociedade pós-moderna não lhe possibilita o exercício de seu heroísmo. Neste sentido, o herói pós-moderno assemelha-se ao herói romântico, nessa perspectiva escapista que ambos possuem, de viverem num mundo só deles, distante do mundo real.
Mas a esperança no futuro não foi absolutamente abandonada nos heróis das histórias em quadrinhos pós-modernos. Embora o último quarto do século XX possa justificar o verso de Drummond, “agora é tempo de fezes e maus poemas”, o autor de histórias em quadrinhos, conscientemente ou inconscientemente, crê na possibilidade de um Renascimento em um tempo futuro e apresenta vários arautos deste Renascimento. Com esses personagens, que tudo sabem e nada fazem, sempre à espera de um Renascimento que virá, retratam nossas frustrações e esperanças num mundo em que o indivíduo é, cada vez menos, parte integrante na construção da sociedade à qual pertence.