4/05/2010

A Regulação do Mercado Cultural

Por: Alex Sampaio*

Sob um aspecto mais amplo, a discussão em relação aos meios de comunicação na nossa sociedade, traz consigo implicações culturais, econômicas e políticas de maneira mais sugestiva do que pensamos. Nela, a televisão ocupa o lugar de destaque. A influência da TV nos lares brasileiros é notória. Sendo assim, outros veículos quase que não conseguem se sobressair junto ao grande público.

Todavia, em face de tal conjuntura, vemos o quanto é difícil chamar a atenção através de outros meios. As revistas como um todo, sofrem para alcançar novos consumidores. Os quadrinhos vivem minguando leitores e suas vendas caem ano após ano. Informação e cultura constitui privilégio de poucos. A economia gira em torno de interesses próprios, sejam políticos, ideológicos ou meramente comerciais.

Muito se fala sobre um mercado organizado de distribuição e controle de quadrinhos, onde poderia haver uma democratização do que se publicaria e conseqüentemente haveria uma abrangência maior. Já houve muito estardalhaço provocado por parte do Governo sobre leis que regularia o mercado cultural, onde verbas e incentivos favoreceriam o artista nacional. Na verdade, nunca houve sequer o interesse por parte dos grandes veículos de comunicações em promover uma ampla discussão em torno do projeto.

A ANCINAV, por exemplo, poderia estar propondo não exatamente o controle da produção cultural do país, e sim, incentivo aos pequenos projetos edificados em minúsculas salas de criação, garantindo assim, uma modernização na arte com amplitude em vários seguimentos. Nesse contexto, os quadrinhos se enquadrariam. Na análise geral, a ANCINAV, não deve só fiscalizar o setor e sim, fazê-lo funcionar. Na verdade, o objetivo da ANCINAV, seria fomentar a indústria do setor e o cumprimento da nova lei , e nunca, fiscalizar de maneira ditatorial, o conteúdo artístico dos projetos. Outro agravante na criação da ANCINAV, é que o nosso Presidente Lula, determinou que somente fossem ouvidos, os representantes do setor da produção de música, cinema, teatro, radio e TV, e daí, seria dada a partida para as discussões para a criação do projeto. Nesse contexto, os representantes das histórias em quadrinhos ficaram de fora das discussões e sem voz no Ministério. O Ex-Ministro Gilberto Gil, que participava dos estudos da ANCINAV, e que já afirmou ser leitor de gibis, nem se lembrou de convidar os artistas da 8º arte na hora de definir metas na sala de reuniões. Incrível!!

Para um bom entendedor, todo projeto deve ser elaborado a partir de uma ampla discussão, com participação de todos os setores da sociedade, através de um processo gradual e democrático. Nesse sentido, participariam Associações de Classes, Sindicatos de Categorias, Organizações de Apoios, Profissionais Liberais, Escolas de Artes, Faculdades, Universidades e veículos interessados. Fora isso, tal discussão ficaria gerida de forma unilateral, favorecendo sempre os meios que detêm o controle de grandes empresas de informação, cultura e entretenimento. Os que realmente precisam de apoio financeiro sempre ficam rejeitados.

O centro do projeto implicaria na mudança de estratégia de apoio, a diversificação de distribuição de verbas públicas, gerando fonte de receita à todos os setores culturais, multiplicando assim, a estrutura da comunicação. Vale uma reflexão acerca da interatividade junto aos seguimentos da sociedade, com abrangência também com os produtores independentes, selecionando e financiando novas idéias, novas realizações, motivando novas tendências e conceitos. Isso feito, a democratização da produção estaria em evidência. Com certeza os efeitos positivos viriam a médio e longo prazo, com soluções adequadas visíveis, como uma necessidade social.

* Alex Sampaio é editor do fanzine Made in Quadrinhos, colecionador de gibis e colunista do blog.

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