4/05/2010

Entrevista com Verônica Saiki

Por: Pedro Brandt




Verônica Saiki é artista plástica formada pela FADM, Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, de Brasilia. Atuante em atividades como ilustração de livros, escultura, pintura e criadora do personagem Verdugo, o inacreditável. Batalhadora incansável, Verônica adora histórias em quadrinhos. Nessa excelente entrevista, ela nos fala um pouco sobre sua trajetória:



Quando iniciou o seu interesse por histórias em quadrinhos?
Olha, o interesse foi dos sete anos em diante, achava legal os da Turma da Mônica e as tiras que via nos jornais.

Nesta época, o que você lia?
Garfield, Calvin e Haroldo, Niquel Náusea, Snoopy entre outros.

Quando e como começou a sua produção de quadrinhos?
Com uns dez anos comecei a fazer. Criei alguns personagens que até então havia intitulado como Chiclete com Banana, época em que não conhecia os do Angeli. Os protagonistas eram literalmente um chiclete e uma banana e outros que também faziam parte da turma. Fazia minhas revistas e distribuía para os colegas lerem. Algum tempo depois cheguei a participar no Correio Braziliense do caderno que publicava as HQs dos leitores, o Correio da Galera, ainda com esses personagens. Eu enviava tiras e histórias de uma página, era muito estimulante na época!

Como surgiu o Verdugo?
Verdugo surgiu na época que comecei a fazer faculdade de Artes Plásticas em meados de 2001.

Quantas revistas do personagem já foram publicadas até agora?
Já fiz cinco revistas.

Saber desenhar e saber fazer quadrinhos são coisas diferentes. Como foi o seu aprendizado para fazer quadrinhos?
Para mim foram coisas iguais. Eu usava os quadrinhos para melhor aprender a desenhar movimentos e expressões. Já as histórias, surgiam de forma natural, geralmente nas coisas corridas do dia-a-dia que levavam ao humor. Meu aprendizado se iniciou da cópia até passar para os meus próprios personagens. E ele não pára, quanto mais aprendo mais vejo que ainda pouco sei.

Muitas meninas não lêem quadrinhos porque as temáticas das HQs são, geralmente, masculinas. Você acredita que isso justifica o número reduzido de meninas leitoras produzindo HQs?
Eu acredito que o universo das mulheres é mais ligado ao real e o imaginário fica mais ligado aos homens. Tanto que vejo o entusiasmo deles quando comentam de algum super-herói favorito ou algum personagem, o que não vejo tanto entre as mulheres. Acho que eles acreditam nesta idéia mais do que nós mulheres, o que faz o número de produção também ser mais favorável para a ala masculina.

Você acredita que o mangá ajudou a trazer mais meninas para os quadrinhos?
Quando é mangá eu vejo meninas!

Por que?
Pela emoção. A arte dos japoneses tem esse poder melhor que qualquer outra. Tanto os mangás quanto os animes retratam a fundo isso e as mulheres se sintonizam melhor.

Qual o seu conselho para as meninas que querem começar a fazer quadrinhos?
Meu conselho é começar! Nada como rabiscar sem nenhuma pretensão um personagem e aos poucos dar vida a ele com as histórias.

E para aquelas que ainda não lêem quadrinhos?
Para aquelas que ainda não lêem aconselho iniciar com tiras. Hoje tudo está tão mais prático e há muitos sites e blogs recheados de tiras nacionais para serem lidas e comentadas! E aliás, nós humildes autores precisamos das opiniões dos leitores. Um deles, do qual também participo, é o:

http://www.tirasnacionais.blogspot.com/.

Acha que rola preconceito contra a produção femininas nos quadrinhos?
Bom, eu vejo que as pessoas olham com espanto. Numa roda de desenhistas por exemplo, você consegue contar facilmente as mulheres. Então é algo pouco, não por preconceito mas por falta de mais mulheres no campo mesmo. O preconceito pode até vir do lado machista que vê a mulher relacionada só a assuntos do lar e por isso sem tempo para dedicação a outras coisas, inclusive quadrinhos. Mas enfim, trabalhar com HQs é árduo para ambos os sexos.

Qual tem sido o feedback para o seu trabalho?
Ele está vindo de forma natural. As pessoas comentam no blog e pessoalmente, quando vou expor as revistas em eventos. Também levo os produtos: camisetas, chaveiros, etc.. que ajudam ainda mais na divulgação. Mas ainda aguardo mais leitores, pois eles são a mola para que nós possamos continuar.

Você já publicou alguma coisa profissionalmente?
Profissionalmente faço quadrinhos institucionais para clientes e ilustrações de livros, a maioria para a editora Scortecci.

Quais serão os seus próximos trabalhos?
Meus próximos trabalhos estão relacionados a continuidade em ilustrações de livros, os quadrinhos do Verdugo, os quais pretendo evoluir a cada revista e minhas esculturas de papel machê, que é um trabalho que pratico há algum tempo e assim que possível gostaria de expor.

Bonecos dos personagens da série Lost




A McFarlane Toys acaba de produzir vários bonecos baseados nos personagens da série Lost. Cada um deles vem acompanhado de acessórios relacionados ao personagem. São bonecos com ótimo acabamento e com semelhança perfeita com os protagonistas. A McFarlane Toys é simplesmente a melhor empresa desse ramo de brinquedos.

A Regulação do Mercado Cultural

Por: Alex Sampaio*

Sob um aspecto mais amplo, a discussão em relação aos meios de comunicação na nossa sociedade, traz consigo implicações culturais, econômicas e políticas de maneira mais sugestiva do que pensamos. Nela, a televisão ocupa o lugar de destaque. A influência da TV nos lares brasileiros é notória. Sendo assim, outros veículos quase que não conseguem se sobressair junto ao grande público.

Todavia, em face de tal conjuntura, vemos o quanto é difícil chamar a atenção através de outros meios. As revistas como um todo, sofrem para alcançar novos consumidores. Os quadrinhos vivem minguando leitores e suas vendas caem ano após ano. Informação e cultura constitui privilégio de poucos. A economia gira em torno de interesses próprios, sejam políticos, ideológicos ou meramente comerciais.

Muito se fala sobre um mercado organizado de distribuição e controle de quadrinhos, onde poderia haver uma democratização do que se publicaria e conseqüentemente haveria uma abrangência maior. Já houve muito estardalhaço provocado por parte do Governo sobre leis que regularia o mercado cultural, onde verbas e incentivos favoreceriam o artista nacional. Na verdade, nunca houve sequer o interesse por parte dos grandes veículos de comunicações em promover uma ampla discussão em torno do projeto.

A ANCINAV, por exemplo, poderia estar propondo não exatamente o controle da produção cultural do país, e sim, incentivo aos pequenos projetos edificados em minúsculas salas de criação, garantindo assim, uma modernização na arte com amplitude em vários seguimentos. Nesse contexto, os quadrinhos se enquadrariam. Na análise geral, a ANCINAV, não deve só fiscalizar o setor e sim, fazê-lo funcionar. Na verdade, o objetivo da ANCINAV, seria fomentar a indústria do setor e o cumprimento da nova lei , e nunca, fiscalizar de maneira ditatorial, o conteúdo artístico dos projetos. Outro agravante na criação da ANCINAV, é que o nosso Presidente Lula, determinou que somente fossem ouvidos, os representantes do setor da produção de música, cinema, teatro, radio e TV, e daí, seria dada a partida para as discussões para a criação do projeto. Nesse contexto, os representantes das histórias em quadrinhos ficaram de fora das discussões e sem voz no Ministério. O Ex-Ministro Gilberto Gil, que participava dos estudos da ANCINAV, e que já afirmou ser leitor de gibis, nem se lembrou de convidar os artistas da 8º arte na hora de definir metas na sala de reuniões. Incrível!!

Para um bom entendedor, todo projeto deve ser elaborado a partir de uma ampla discussão, com participação de todos os setores da sociedade, através de um processo gradual e democrático. Nesse sentido, participariam Associações de Classes, Sindicatos de Categorias, Organizações de Apoios, Profissionais Liberais, Escolas de Artes, Faculdades, Universidades e veículos interessados. Fora isso, tal discussão ficaria gerida de forma unilateral, favorecendo sempre os meios que detêm o controle de grandes empresas de informação, cultura e entretenimento. Os que realmente precisam de apoio financeiro sempre ficam rejeitados.

O centro do projeto implicaria na mudança de estratégia de apoio, a diversificação de distribuição de verbas públicas, gerando fonte de receita à todos os setores culturais, multiplicando assim, a estrutura da comunicação. Vale uma reflexão acerca da interatividade junto aos seguimentos da sociedade, com abrangência também com os produtores independentes, selecionando e financiando novas idéias, novas realizações, motivando novas tendências e conceitos. Isso feito, a democratização da produção estaria em evidência. Com certeza os efeitos positivos viriam a médio e longo prazo, com soluções adequadas visíveis, como uma necessidade social.

* Alex Sampaio é editor do fanzine Made in Quadrinhos, colecionador de gibis e colunista do blog.

As dez HQs mais caras do mundo




As dez HQs mais caras do mundo

1º. Action Comics Nº 1: US$ 1.390.000,00
2º. Detective Comics No.27: US$1.380.000,00
3º. Superman No.1: US$ 671.000,00
4º. All-American Comics No.16: US$ 430.000,00
5º. Detective Comics No.1: US$ 405.000,00
6º. Marvel Comics No.1: US$ 367.000,00
7º. Batman No.1: US$ 359.000,00
8º. More Fun Comics No.52: US$ 316.000,00
9º. Flash Comics No.1: US$ 289.000,00
10º. Amazing Fantasy No.15: US$ 280.000,00

Fonte: Telegraph

3/25/2010

Editora lança álbum de HQ nacional




Lina é uma HQ belamente ilustrada, produzida por Cristina Judar (roteiro) e Bruno Auriema (arte).
Roteiro: Cristina Judar
Ilustrações: Bruno Auriema
80 páginas, 21 x 28 cm     
Encadernação: Brochura
Preço: R$ 35,00 
Editora: Estação Liberdade

Cristina Judar é jornalista e escritora. Durante a carreira jornalística, sentia a necessidade de não apenas de escrever a realidade, mas de também escrever ficção. Passou, então, a escrever contos. Com Lina, surgiu a oportunidade de se aventurar em nova área, a dos roteiros de HQ’s.

Bruno Auriema é formado em publicidade e propaganda e desenha desde a infância. No final dos anos 1990, passou a encarar sua habilidade como algo mais que um hobby e começou a criar personagens para revistas e livros. Já teve alguns trabalhos publicados nos Estados Unidos, como Tenth Muse (Alias), New Orleans & Jazz (Narwain Publishing) e Negative Burn (Image Comics). Já trabalhou em agências publicitárias e chegou a cantar em uma banda de punk rock.
Onde comprar:

Comix Book Shop Livraria
contato com: Jorge e-mail: jorge@comix.com.br / comix@comix.com.br
Telefone: (11) 3061-3893
end. Alameda Jaú, 1998 - Cerqueira Cesar - São Paulo - SP
Devir
contato com: Paulo Roberto e-mail: devir@devir.com.br
Telefone: (11) 2127-8787/66
end. Rua Teodureto Souto, 624 - Cambuci - São Paulo - SP

3/22/2010

Os dez personagens mais feios

Pelo simples fato de serem personagens de desenhos animados, muitas vezes a feiúra dessas figuras passam despercebidos pelas pessoas, mas na realidade se estes personagens existissem na vida real espantariam qualquer mulher. Para compor a lista foram selecionados apenas desenhos com características humanas, ficando excluídos monstros, animais e etc.. Confira os dez mais feios.


3/19/2010

Cartunista baiano lança personagens gays


O cartunista baiano Tomas M, está desenvolvendo tiras de quadrinhos com temática homossexual que, de forma independente, começou a ser publicada na internet em janeiro de 2010. Desde então, o projeto desponta como uma das raras publicações gays do gênero.

As tiras são protagonizadas pelos amigos Tim e Tom, dois jovens em fase de descoberta da orientação homossexual e que, como os garotos da mesma faixa etária, vivem e experimentam a sua sexualidade.

Ainda são poucos os quadrinhistas que se arriscam na temática gay. O autor cita nomes como Laerte e Adão Iturrusgarai que, de modos diversos, tratam do tema já há algum tempo.

3/12/2010

Pinturas que se transformam em realidade




As fotos que compõem estas imagens passariam despercebidas se não fosse por um detalhes: todas elas são pinturas.

Personagens do mundo dos quadrinhos contribuem mais uma vez na elaboração das pinturas, enriquecendo a arte.

As pinturas realistas são feitas com a intenção de torná-las mais fiéis possíveis à realidade, mais até do que uma fotografia. Na sequência, várias imagens de artistas, como: Robert Bechtle, Charles Bell, Alyssa Monks e Richard Estes.

3/01/2010

Estátua de Sarah Connor está à venda

O site de coleções Sideshow Collectibles colocou a venda a estátua da personagem de Sarah Connor do filme Terminator 2. A figura colecionável representa cerca de 28 centímetros de altura e apresenta nova imagem esculpida por inteiro, com detalhes da musculatura do braço, bem como a escultura de cabelo detalhada. Outros detalhes interessantes da estátua, são a semelhança de Linda Hamilton como Sarah Connor, o braço de borracha, escultura detalhada de cabelo com franja intercambiáveis, dois pares de mãos intercambiáveis, 28 pontos de articulação, Calça com cinto tático e bolsas, Óculos, Cigarro, rifle com silenciador e plaqueta com Sarah Connor e o logotipo do filme. Tudo isso pela bagatela de US $149.99 cada peça

Super-herói com nome brasileiro

Super-heróis com nome brasileiro lutando contra vilões perigosos em plena Floresta Amazônica. Trata-se da HQ Amazon – Guerreiros da Amazônia – O templo da luz, primeiro livro da trilogia que contará as aventuras desses novos super-heróis brasileiros. Criado por Ronaldo Barcelos, sócio da produtora carioca RJR Produções, o livro, com ilustrações de Ronaldo Santana, chega às livrarias por meio da editora Litteris.

Amazon: Guerreiros da Amazônia - O Templo da Luz está disponível na rede de livrarias Saraiva ao preço de R$ 30,00 cada exemplar.

Sem censura e sem quadrinhos

Por: Alex Sampaio

Antes havia a censura e não tinhamos o melhor dos quadrinhos estrangeiros. Hoje, mesmo sem censura, continuamos a não ter quadrinhos. Tentam justificar com a constante desvalorização do real e o consequente aumento dos royalties internacionais. Puro engodo! A realidade que conhecemos é bem outra. Nossos editores, juntamente com as grandes editoras, não suportam investir naquilo que eles desconfiam. A cultura do empresário brasileiro, fomentada por anos de convivência de inflação alta no passado, ainda não se adaptou a investir sem o lucro imediato. Fica mais fácil manter títulos que sejam conhecidos do grande público que “arriscar” em uma nova publicação totalmente desconhecida dos leitores de HQ. Acham-se no direito de cercear nossa condição de consumidor. Para eles, não temos ótica para vislumbrar uma boa história.

Mesmo longe dos olhos dos censores que nos privaram de tantas obras primas, continuamos sem acesso ao quadrinho de ponta, como se ainda vivessemos na era do AI-5. Os americanos conseguiram superar o período ditatorial, onde Frederic Wertham acusava os quadrinhos e sua cultura de serem prejudiciais ao caráter em formação dos jovens daquele país e, finalmente, com os Comic Codes criado, “engessou” a imaginação dos artistas por muitos e muitos anos. Lamentável!!

A Ebal, La Selva, Novo Mundo, RGE, dentre outras editoras, em seus áureos tempos, ousaram em muitas oportunidades, e lançaram em suas publicações, vários personagens que caíram no gosto popular. E o mais incrível, é que muitos deles são lembrados até hoje. Alguns até são matérias em fanzines nostálgicos.

Sabe-se perfeitamente que o que se publica no Brasil não representa nem 10% do mercado de quadrinhos em circulação.

Muitos editores alegam que o perfil do leitor brasileiro é muito limitado. Credita-se a isso, o fato dos pais sempre estimularem seus filhos aos quadrinhos infantis. “A predominância dos títulos infantis refletem a nossa realidade”, justifica um editor paulista. Seja como for, quando uma publicação conquista seu espaço, ela vende, sobrevive e influência uma camada do público. Quando a Vecchi lançou a revista Tex, jamais imaginaria seu enorme sucesso, sendo hoje, a exceção do Pato Donald, Mickey e Zé Carioca, a publicação de maior longevidade no Brasil. A Vecchi pensou em cancelar Tex no início pela baixa venda, mas Lotário Vecchi foi teimoso e resolveu continuar com a revista e em 1975 Tex já estava consolidado como campeão de vendas da editora, onde atingiu a marca de 150 mil exemplares mensais. Nenhum personagem nasce campeão, por isso, deve-se insistir até ele conquistar seu espaço. Algumas editoras estão apostando nisso e parece que vai haver luz no fim do túnel. Pelo menos temos esperanças. É isso aí!

Desenho de Tin Tin censurado na Turquia

O desenho animado "As Aventuras de TinTin" foi censurado na TV turca. O conselho regulador dos meios de comunicação da Turquia multou uma emissora privada de TV que exibiu o Capitão Haddock, um dos personagens da série, fumando um cachimbo.

Na Turquia, desde 2008 existe uma lei federal que proíbe as emissoras de TV de exibirem cenas com pessoas fumando. A medida está valendo para filmes, séries, e agora em desenhos animados.

"As Aventuras de Tin Tin" foi produzida em 1991 pelas empresas Ellipse Programmé e Nelvana, rendendo 39 episódios dividos em três temporadas. A versão animada de Tintin foi exibida no Brasil pelos canais TV Cultura, HBO Family e mais recentemente pela Rede 21, e teve todos os episódios lançados em DVD pela Logon Editora.

2/23/2010

Anônimo arremata Action Comics Nº 01 em leilão

A edição de 1938 da Action Comics Nº 01, foi arrematada em leilão por U$ 1 milhão de dólares. O comprador não se identificou. O leilão foi conduzido pelo site Comics Connect.com, que intermediou os lances. A edição do gibi conta a origem do Super-Homem. A Action Comics é publicada pela DC até hoje.

2/19/2010

Site vende estátua do Wolverine





O site Sideshow está disponibilizando uma fantástica estátua do Wolverine, em uma bela pose de guerreiro. Com uma roupa amarela, sunga e botas azuis e cinto vermelho, o personagem da Marvel chama a atenção dos fãs. O uniforme vem com tecido e cinto em couro legítimo. Mas o que realmente chama a atenção, é a feição de fúria estampada no rosto do personagem. É ver para crer.

A estátua tem 43 cm de altura x 28 cm de largura. A peça custa $ 299,99 dólares e está disponível para venda.

2/11/2010

Stan Lee cria nova HQ

O genial Stan Lee, 87 anos, co-criador de alguns dos super-heróis mais famosos do mundo, está escrevendo uma nova série de histórias em quadrinhos, na qual ele próprio tem um dos papéis principais.

A série é sobre sete aliens que se descobrem presos na Terra depois de sua nave espacial sofrer um acidente. Ele se torna líder dos aliens e os ajuda a retomar suas vidas na Terra, como super-heróis.

Com certeza a HQ vai pegar e sem dúvida poderá se tornar uma série com revista própria.

2/10/2010

Fotomontagem resgata símbolo do império americano

A bela imagem do Homem Aranha no WTC antes do atentado de 11 de setembro. Fotomontagem que resgata o símbolo do império americano. Só mesmo um super herói para livrar o capitalismo da ira dos terroristas.

2/01/2010

Entrevista: Natalia Forcat

Natalia Forcat é argentina, mas mora no Brasil há mais de dez anos. Na Argentina já desenhava, tendo publicado alguns quadrinhos nas revistas Fierro, Cerdos & Peces e El Tajo. No Brasil, fez ilustrações para revistas como Playboy, Show Bizz, Carícia, Pense Leve, Isto É Minas, Set e Set Vídeos Eróticos, Revista da Folha de São Paulo, Caros Amigos e Trekking. Entre 1998 e 2001 trabalhou como ilustradora e chargista para a Gazeta Mercantil. Colaborou com o álbum Brazilian Heavy Metal com uma história em quadrinhos roteirizada por Dario Chaves. Participou do Primeiro Concurso Nacional de Quadrinhos (HQ Brasil), ficando com o primeiro lugar na categoria tiras de jornal com roteiro de Paulo Batista. Seus mais recentes trabalhos foram ilustrações para os livros infantis e infanto-juvenis A Poesia do ABC (Cuca Fresca Edições), de Alcides Buss; Pontos na Barriga (Saraiva), de Tânia Alexandre Martinelli; Poemas Avoados (Saraiva), de Leo Cunha e Dúvidas, Segredos e Descobertas (Coleção Jabuti), de Helena Carolina. Nessa entrevista, ela nos conta um pouco dessa tragetória:

Como foi o início de sua carreira?
Acho que todo desenhista já nasce desenhando, é uma coisa que vem no sangue, como gostar de doces mais do que salgados e essas coisas. Quando se é criança, se desenha com mais prazer porque não há ninguém do lado questionando o estilo ou criticando a técnica, é puro prazer e descobrimento. Eu, particularmente, sofri um pouco quando entrei na escola primaria, pois a minha professora me proibiu de desenhar. Segundo ela, as outras crianças poderiam ficar inibidas porque meu desenho estava um pouquinho mais desenvolvido e assim fui obrigada a desenhar pessoas feitas de “palitos e bolinhas”. Lembro que isso foi terrível para mim, já que na época eu tinha 6 ou 7 anos. Na adolescência, comecei a desenhar umas coisas “mutcho loucas” , com alguma influência do surrealismo, mas usando técnicas do cartum. Mais tarde comecei a fazer quadrinhos de forma amadora , bastante influenciada pela revista El Vibora (Espanha), gostava muito e ainda gosto do trabalho de Nazario e as aventuras de Ranxerox (Tamburini e Liberatore) e quadrinhos underground americanos como os de Robert Crumb. Foi nessa época que publiquei uns poucos trabalhos na Revista Fierro, num suplemento para novos talentos, várias ilustrações na Revista Cerdos & Peces e participei de uma coletiva no Centro Cultural Recoleta antes de resolver que definitivamente não tinha nascido para morar na Argentina e me mudar para o Brasil. Cheguei no Brasil com uma pasta muito esquisita, cheia de desenhos de estilos insólitos, tudo muito underground e “punk”. Fui parar na Revista Animal, que infelizmente bem naquela época tinha fechado. Logo depois comecei a ilustrar alguns jornais sindicais do PT e na Revista Isto É Minas.

Por que você acha que a maioria dos desenhistas são homens?
Será mesmo? Mariza, Cahu, Priscila Farias, Lúcia Brandão, Cris Burger, Jinnie Pak, Eva Furnari, Maitena, Laurabeatriz…e quantas outras? Não tenho certeza se há muitos mais desenhistas homens do que mulheres, talvez haja mais desenhistas e cartunistas homens conhecidos pelo grande público, com um trabalho autoral, muitas vezes mais voltado para a área política, mas eu também conheço muitas desenhistas mulheres trabalhando na área de livros infantis, animação, mangá, livros didáticos, arte final, etc, só que nessas áreas o nome do artista não é tão divulgado, aparece em letras pequenas num canto do livro ou da revista e ninguém lê. Sempre sugiro que algum estudante faça uma tese de mestrado sobre este assunto, com uma boa pesquisa sobre a produção nacional ou, internacional, para usarmos como referência, mas ate agora não consegui convencer ninguém.

Fale um pouco sobre os seus trabalhos nas revistas que você participou:
Na revista Show Bizz, que naquela época se chamava apenas Bizz, cheguei a fazer algumas ilustrações naquele estilo mais quadrinho como eu fazia na Argentina, assim como na Revista Caros Amigos. Na Revista Caricia arrisquei a fazer um estilo que eu não dominava muito, meus desenhos eram pesados e meus personagens tinham umas caras muito feias, todos eram deformados, cheios de verrugas e pêlos, tinham seios exagerados, etc…Rsss! Mas acabei me dando muito bem naquele estilo “teen”, e trabalhei por 4 anos desenhando a personagem Tininha Hortelã, e isso me abriu muitas portas para o desenho infantil. Outro trabalho que eu gostei muito de fazer foi o da Revista da Folha, a personagem Clô. Trabalhei na Gazeta Mercantil quando morei em Fortaleza. Foram quase três anos fazendo ilustrações diárias, algumas vinhetas, e eventualmente uma charge ou um bico de pena. O fato de ter que fazer ilustrações diárias foi uma experiência interessante pois você fica em forma, como quem malha todos os dias.

E as criações de capas de Cds e livros infantis?
As capas de Cds foram produzidas para a Paradoxx, através do estudio de design gráfico Quarto Mundo. Foi muito bacana pois tive a oportunidade de experimentar técnicas e materiais diferentes, como massinha, montagem, confecção de objetos de papel maché, esculturas, colagens. Foi uma experiência muito enriquecedora em termos de técnica. Atualmente estou trabalhando com um amigo meu, roteirista e ilustrador, produzindo material para livros infantis com muito carinho, em breve estarão nas prateleiras!

Existe algum desenhista que a inspirou no início de sua carreira?
Como toda criança, adorava assistir desenhos da Disney, também gostava dos gibis de Quinterno e Garcia Ferrer: Patoruzú, Isidoro, Hijitus, mas tarde de Quino: Mafalda e os quadrinhos de Fontanarrosa: “Las aveturas de Inodoro Pereira y su perro Mendieta” e “Boogie, el aceitoso”. Ao crescer me apaixonei pelo mundo dos quadrinhos chamados de underground, tanto europeus como americanos, mas não acho que tenham me influenciado tanto no resultado final do meu trabalho, talvez sim no começo da minha profissão.
Algo que acho muito interessante é o projeto das HQs em forma de livro nas escolas para o aluno firmar mais ainda o seu aprendizado, pois qualquer criança gosta de ler uma historinha em quadrinhos. O que você acha desse projeto?
Acho legal, sim, sobretudo para despertar o interesse pela leitura nas crianças pequenas, mas também acho fundamental a leitura de livros. Hoje em dia parece que existe uma tendência para dar tudo digerido e simplificado para as crianças. Parece haver uma obsessão para transformar a educação em algo necessariamente divertido. Não entendo, acho que as crianças têm que crescer sabendo que nem tudo vai ser tão divertido assim na vida o processo de aprendizagem pode ser custoso e difícil. Ao meu ver, a educação está deixando de lado o conteúdo, simplificando demais. Hoje em dia tem que ser quase um palhaço ou um ator para conseguir prender a atenção dos alunos . Pode- se usar o quadrinho, por exemplo, para fixar algum fato histórico, para enriquecer o currículo escolar, para ensinar às crianças a fixar a atenção, para estimular o prazer pela leitura mas não se pode, de forma alguma, dispensar os livros, as crianças têm que aprender a interpretar textos mais longos e complexos. Não podem ter medo dos livros! Você pode ate achar estranho eu dizer isto, gostando tanto de quadrinhos mas o fato é que cada vez as crianças aprendem a ler mais tarde e lêem menos. Isso me assusta, quadrinhos podem ajudar a mudar esse quadro desde que sejam usados criteriosamente.

Como você acha que anda a cultura no Brasil em relação aos outros países?
O Brasil é um país com uma riqueza cultural imensa e muito forte , com muita personalidade. Isso sempre me chamou a atenção. Acho que é um país musical e visual e talvez por isso, os quadrinhos tenham tudo a ver com o Brasil.

E onde está o nosso lado forte?
O lado forte eu penso que é a música, alem de ter personalidade e qualidade, é insuperável!

E o nosso lado fraco?
O que precisa ser fortalecido, assim como no resto de América Latina, é a educação. Os governos precisam investir de verdade em educação, em programas de alfabetização para adultos, em educação com conteúdo, questionadora e que ensine a pensar.

Eu leio muito e indico o livro "Desvendando os Quadrinhos - Autor: Scott MacCloud, Editora: M.Books. Você indica algum livro que trás referência aos quadrinhos ou a arte em geral?
O livro do Maccloud é muito interessante mas eu gosto de indicar e ler quadrinhos mesmo. Durante algum tempo frequentei a Gibiteca Henfil, quando ficava no outro local, perto do Metrô Vila, mas infelizmente hoje se encontra meio abandonada e tem poucos títulos. Para “desvendar “ os quadrinhos recomendo ler : Hugo Pratt, Will Eisner, Moebius, Guido Crepax, Milo Manara, H.G. Oesterheld, Enrique e Alberto Breccia.

Conheço ótimos desenhistas como o Tibúrcio, o Rico, Velasco, Joacy Jamys, Calazans, Moura, Jorge Barreto, Juska e muito outros como você, no qual todos tem um traço e uma técnica inigualáveis. Você gostaria de comentar sobre mais algum desenhista ou ilustrador que tenha traços e técnicas irreverentes?

Sim! Sou fã de vários artistas brasileiros. Dizer que gosto do trabalho do Laerte, do Gonzales e do Angeli é meio obvio, mas não quero deixar de citá-los pois são demais. Admiro muito, também, o trabalho de Mario Vale, ele tem um traço muito pessoal e consegue passar uma mensagem forte e contundente com um estilo de aparência singela. Acho isso genial! Também gosto e recomendo os cartuns e tiras do Gilmar e do Junião. Outro que admiro é o Spacca, é um artista genial, brilhante! As caricaturas dele são de uma sensibilidade e qualidade que poucos conseguem alcançar, com um traço simples e certeiro.

Fale sobre os seus prêmios e participações em salões de humor?
Participei do Primeiro Concurso Nacional de Quadrinhos (HQ BRASIL) ficando com o primeiro lugar na categoria tiras de jornal (roteiro do Paulo Batista) e tive cartuns selecionados no Salão de Piracicaba e no Salão Pernambucano de Humor no ano 1999 e 2003.

O imbróglio da Internet no mundo dos fanzines

Por: Alex Sampaio*

Fanzine é um meio de comunicação, podendo ser produzido por diversos estilos ou assuntos. O que diferencia o fanzine de outros jornais é a liberdade de expressão que nele encontramos. Nele encontramos diversos assuntos. Existem fanzines sobre os mais variados temas, desde histórias em quadrinhos, música, cinema, poesia ou arte. Na maioria das vezes, os fanzines são xerocados, mas nos últimos anos, com a tecnologia ao alcance de todos, os fanzines melhoraram bastante sua qualidade gráfica. No resumo, fanzine é uma abreviação de fanatic magazine, mais propriamente da aglutinação da última sílaba da palavra magazine (revista) com a sílaba inicial de fanatic. Trata-se de uma publicação despretensiosa, eventualmente sofisticada no aspecto gráfico, dependendo do poder econômico do respectivo editor, mas basicamente feita de maneira artesanal, sem muitos investimentos na sua apresentação. Para o editor, o que conta mesmo é o seu conteúdo.

No Brasil o termo fanzine é genérico para toda produção independente. Houve uma distinção entre fanzine e produção independente, mas a disseminação do termo "fanzine", fez com que toda a produção independente no Brasil fosse denominada fanzine.

O primeiro fanzine brasileiro foi o Ficção, criado por Edson Rontani em 1965 em Piracicaba, São Paulo. Criado em uma época que o termo que definia produção independente era "boletim", o fanzine trazia textos infomativos e uma interessante relação de publicações brasileiras de quadrinhos desde 1905. Os Zineiros afirmam, sem pestanejar, que os fanzines que hoje conhecemos surgiram no final da década 70, junto com o movimento punk na Inglaterra. Existem os que afirmam que eles teriam surgido nos Estados Unidos, na década de 30 do século XX, em plena grande depressão americana. De acordo com essa versão, o primeiro fanzine dessa época, então conhecido como fanmag, foi publicado por Ray Palmer para o Science Correspondence Club, em maio de 1930. O fanmag chamava-se The Comet e falava de cinema e literatura de ficção científica.

Em 1941, o americano Louis Russel Chauvenet teve a idéia de chamar essas publicações de fanzine, juntando as palavras fan e magazine. Nessa época usava-se o mimeógrafo. Ainda na década de 30, foi criado algo que mudaria para sempre a história dos fanzines: A xerox, inventada por Chester Carlson. Com o incremento dessa descoberta, os fanzines ganharam outros contornos para a disseminação da sua proposta. Com o advento da fotocopia em Xerox, as tiragens também aumentaram, dando a oportunidade de leitura a mais pessoas. Sem dúvida, foi um grande avanço.

No cenário brasileiro, os fanzines cresceram principalmente no meio underground, onde sua disseminação atingia uma enorme fatia da segmentação. Nele, era possível saber o que estava rolando no Brasil e no mundo. Era o espaço para se comunicar de fato.

Nesse contexto de tantas publicações independentes, podemos encontrar todo tipo de opinião, inclusive as mais radicais. Embora a grande maioria dos autores optem por abordar temas culturais, os fanzines também despertam para temas anárquicos e políticos. Críticas e protestos existem e são conhecidos no meio.

Os fanzines nascem espontâneos, sem auto-crítica e arfando de ansiedade por ser conhecido e conhecer outros párias como ele. Os editores buscam uma afirmação no meio, para que seja satisfatória sua permanência por um longo período. Geralmente o autor escreve sobre aquilo que gosta e tem afinidade. A distribuição basicamente é gratuita e quase sempre na forma de permuta. Os Correios são o elo principal na integração desse meio, pois distribuem as publicações para todos os leitores que participam dos contatos. Feito de pequenas tiragens, os fanzines têm como distribuidor principal, justamente a via postal, por ser uma produção independente, tornando o custo o mais acessível para viabilizar a continuidade do mesmo.

Muitos editores de fanzines alegam que resolveram partir para a iniciativa de publicar algo, movido principalmente pela insatisfação de não encontrar nada que lhes agradassem em banca. Um dos fatores mais problemáticos para quem edita fanzine, é sem dúvida a venda do seu produto. Como vender algo em que todos os leitores são basicamente também editores? Viver de permuta é algo complicado. A impressão é a alma do negócio e imprimir um zine com 40 páginas custa caro. Entende-se por aí, que permutar publicações é algo que não mantém um fanzine por muitos números. Outro problema enfrentado pelos editores, é quanto a distribuição. O custo de remessa tem subido muito. Os Correios reajustam as tarifas com certa freqüência e muitos editores ficam inviabilizados de prosseguirem com suas publicações. Se o editor tem recursos, vai ter uma tiragem dos sonhos, e a distribuição conseqüentemente melhora. Mais vendas, mais divulgação, mais anunciantes e assim o caminho segue.

Percebe-se perfeitamente, que para manter uma publicação por muitos anos, é preciso melhorar sempre, crescer em todos os sentidos e ser fiel ao seu intento, que é encher de informação, informação e informação as páginas de cada edição. Seguir fazendo um trabalho sério e conhecer sobre o que se escreve.

Oscar Cristiano Kern foi um dos pioneiros dos fanzines no Rio Grande do Sul e no Brasil. Sua publicação independente, a Historieta, se estendeu de 1972 a 2003, sendo o zine com maior longevidade na história do Brasil. Com este trabalho, Kern contribuiu muito para a divulgação de novos artistas e posteriormente se profissionalizaram no mercado editorial e artístico brasileiro. Foram anos dedicados a Historieta, que ficou famosa pelo seu formato horizontal. Quem teve a oportunidade de conhecer este fanzine, jamais esquecerá. Kern caprichava na elaboração e na escolha das HQs que seriam publicadas em cada número. Kern Também trabalhou para a Editora Abril criando histórias para personagens como Tio Patinhas, Donald, Mickey, Pateta, Aristogatas, Peninha e Zé Carioca.

Um dos grandes questionamentos atualmente sobre publicação de fanzines, é quanto ao seu modelo. Se no modo impresso, dando prosseguimento a sua origem, ou se do modo virtual, acompanhando a evolução da tecnologia via Internet.

A alegação para uma mudança brusca para a Internet, é devido principalmente ao alcance nacional e mundial que essa ferramenta possibilita. Os fanzines a algumas décadas, possuía uma comunicação muito lenta e o alcance muito limitado. Graças ao trabalho incansável de alguns abnegados, eles sobrevivem até hoje, mesmo com toda a dificuldade de distribuição, impressão e recursos ínfimos.

Um fanzine de sucesso, que alcança uma venda de 50 exemplares tem seu trabalho sendo correspondido por no máximo, 300 pessoas. Claro que fanzines, feitos em capitais com distribuição local, podem alcançar números muito, mas muito mais expressivos. Mas fora do seu gueto não vendem tanto. Assim sendo, com o advento da rede mundial de computadores, o alcance é ilimitado e sem dúvida, o custo bem mais baixo. Outro fator determinante para uma reflexão acerca do assunto, é a capacidade de se atualizar as notícias de maneira instantânea. Outro ponto a favor da nova tecnologia, é o excelente acabamento gráfico que se pode dar ao trabalho virtual. Isso possibilita uma leitura mais agradável.

Assim sendo, a rede é um excelente negócio, seja lá qual for sua finalidade. É uma oportunidade ao alcance de todos. Os editores de zines podem aproveitar a rede para se mostrarem ao mundo. O contato com os leitores é muito mais próximo, mais rápido e barato do que em publicações impressas. Se bem que o papel é muito mais agradável na opinião de muitos.

Um detalhe importante sobre o uso da Internet, é que ler na tela do computador é diferente de ler um livro. A Internet está quebrando o estilo de leitura linear e concentrada, própria dos livros. Ou seja, as pessoas estão lendo menos e pior. Assim como a cultura oral já esteve em decadência um dia, é a vez da escrita passar a ter menos relevância. Como a televisão mostrou sua importância na década de 70, como um meio capaz de proporcionar experiências culturais enriquecedoras, ela nos trouxe uma perda grande para a leitura.

A melhor maneira de conviver com tantos conflitos culturais, é aceitar todas as formas de cultura, desde a cultura oral até a cibercultura. É conviver e sincronizar na constituição de uma trama cultural hiper complexa e híbrida.

Os estudiosos são enfáticos em dizer que o lugar ocupado pela escrita nunca será ocupado, pois ela é a única fonte de informação oficial no mundo. Ela desperta a magia da história e o sentimento em que o autor colocou no papel. Qual é o tipo de tecnologia que desperta o conhecimento de uma forma imaginária? O Livro sempre será único!

Na verdade, a Internet é cansativa e não tem a mesma versatilidade que o livro. Nessa mesma linha, podemos imaginar que embora a tecnologia da internet se mostre forte para busca de informações, ela apenas aflora mais um modo de leitura, mas nunca tomará o lugar da escrita no papel, já que na rede mundial as fontes de informações não são tão seguras e nem tudo que é encontrado na internet é válido. Logo, eis uma boa reflexão para se fazer a respeito da leitura da internet X livros.

Será que as publicações em papel estão mesmo em decadência? O fim está mais próximo? Fica a pergunta para reflexão. Creio que haverá uma grande discussão sobre o tema, onde muitos se mostrarão a favor do papel impresso e uns tantos outros defenderão a Internet como futuro da HQ nacional.

*Alex Sampaio é colecionador de gibis, editor do zine Made in Quadrinhos e colunista de diversos sites na Internet.

O Pós Modernismo nos Quadrinhos

Por: Afrânio Garcia

Os últimos vinte e cinco anos do século XX podem muito bem ser chamados de “era da desilusão”. Após um começo de século em que se tinha grandes esperanças na guerra, veio um meio de século em que se tinha grandes esperanças na paz, culminando com o tempo dos hippies, do “flower power” e do “paz e amor”. A partir dos anos setenta, porém, perdeu-se a esperança num futuro brilhante e passou-se a viver exclusivamente para o presente, procurando apenas nos adaptar e habituar a viver com as imperfeições, erros e misérias que a vida nos destina, desde as pichações nos muros até o tráfico de drogas desenfreado, praticamente em todas as grandes cidades do mundo.


Nesse contexto, as histórias em quadrinhos tiveram que se modificar, já que um herói tornou-se uma coisa inviável num mundo em que o indivíduo significa muito pouco (e a propaganda insiste em apresentar o indivíduo como algo ainda mais insignificante) e há muito pouca aventura possível para aqueles que não controlam o poder. Assim sendo, as histórias em quadrinhos pós-modernas mostram: violência desenfreada; ignorância e escatologia, impotência e servidão, o nada do fim do nosso século.


A ultra violência é talvez a característica mais marcante dos heróis das histórias em quadrinhos depois de 1980. Isso é facilmente explicado pela falência da sociedade civil e pelo descrédito do cidadão comum na lei.


Num mundo em que o heroísmo não tem mais lugar, em que o sentimento de impotência do indivíduo diante de coletividades e corporações tentaculares é opressivo, resta ao herói bem pouco espaço para existir. Neste mundo desindividualizado, o herói passa a ser um exilado, um “outcast”, um ser marginalizado, já que a sociedade pós-moderna não lhe possibilita o exercício de seu heroísmo. Neste sentido, o herói pós-moderno assemelha-se ao herói romântico, nessa perspectiva escapista que ambos possuem, de viverem num mundo só deles, distante do mundo real.


Mas a esperança no futuro não foi absolutamente abandonada nos heróis das histórias em quadrinhos pós-modernos. Embora o último quarto do século XX possa justificar o verso de Drummond, “agora é tempo de fezes e maus poemas”, o autor de histórias em quadrinhos, conscientemente ou inconscientemente, crê na possibilidade de um Renascimento em um tempo futuro e apresenta vários arautos deste Renascimento. Com esses personagens, que tudo sabem e nada fazem, sempre à espera de um Renascimento que virá, retratam nossas frustrações e esperanças num mundo em que o indivíduo é, cada vez menos, parte integrante na construção da sociedade à qual pertence.