3/25/2010

Editora lança álbum de HQ nacional




Lina é uma HQ belamente ilustrada, produzida por Cristina Judar (roteiro) e Bruno Auriema (arte).
Roteiro: Cristina Judar
Ilustrações: Bruno Auriema
80 páginas, 21 x 28 cm     
Encadernação: Brochura
Preço: R$ 35,00 
Editora: Estação Liberdade

Cristina Judar é jornalista e escritora. Durante a carreira jornalística, sentia a necessidade de não apenas de escrever a realidade, mas de também escrever ficção. Passou, então, a escrever contos. Com Lina, surgiu a oportunidade de se aventurar em nova área, a dos roteiros de HQ’s.

Bruno Auriema é formado em publicidade e propaganda e desenha desde a infância. No final dos anos 1990, passou a encarar sua habilidade como algo mais que um hobby e começou a criar personagens para revistas e livros. Já teve alguns trabalhos publicados nos Estados Unidos, como Tenth Muse (Alias), New Orleans & Jazz (Narwain Publishing) e Negative Burn (Image Comics). Já trabalhou em agências publicitárias e chegou a cantar em uma banda de punk rock.
Onde comprar:

Comix Book Shop Livraria
contato com: Jorge e-mail: jorge@comix.com.br / comix@comix.com.br
Telefone: (11) 3061-3893
end. Alameda Jaú, 1998 - Cerqueira Cesar - São Paulo - SP
Devir
contato com: Paulo Roberto e-mail: devir@devir.com.br
Telefone: (11) 2127-8787/66
end. Rua Teodureto Souto, 624 - Cambuci - São Paulo - SP

3/22/2010

Os dez personagens mais feios

Pelo simples fato de serem personagens de desenhos animados, muitas vezes a feiúra dessas figuras passam despercebidos pelas pessoas, mas na realidade se estes personagens existissem na vida real espantariam qualquer mulher. Para compor a lista foram selecionados apenas desenhos com características humanas, ficando excluídos monstros, animais e etc.. Confira os dez mais feios.


3/19/2010

Cartunista baiano lança personagens gays


O cartunista baiano Tomas M, está desenvolvendo tiras de quadrinhos com temática homossexual que, de forma independente, começou a ser publicada na internet em janeiro de 2010. Desde então, o projeto desponta como uma das raras publicações gays do gênero.

As tiras são protagonizadas pelos amigos Tim e Tom, dois jovens em fase de descoberta da orientação homossexual e que, como os garotos da mesma faixa etária, vivem e experimentam a sua sexualidade.

Ainda são poucos os quadrinhistas que se arriscam na temática gay. O autor cita nomes como Laerte e Adão Iturrusgarai que, de modos diversos, tratam do tema já há algum tempo.

3/12/2010

Pinturas que se transformam em realidade




As fotos que compõem estas imagens passariam despercebidas se não fosse por um detalhes: todas elas são pinturas.

Personagens do mundo dos quadrinhos contribuem mais uma vez na elaboração das pinturas, enriquecendo a arte.

As pinturas realistas são feitas com a intenção de torná-las mais fiéis possíveis à realidade, mais até do que uma fotografia. Na sequência, várias imagens de artistas, como: Robert Bechtle, Charles Bell, Alyssa Monks e Richard Estes.

3/01/2010

Estátua de Sarah Connor está à venda

O site de coleções Sideshow Collectibles colocou a venda a estátua da personagem de Sarah Connor do filme Terminator 2. A figura colecionável representa cerca de 28 centímetros de altura e apresenta nova imagem esculpida por inteiro, com detalhes da musculatura do braço, bem como a escultura de cabelo detalhada. Outros detalhes interessantes da estátua, são a semelhança de Linda Hamilton como Sarah Connor, o braço de borracha, escultura detalhada de cabelo com franja intercambiáveis, dois pares de mãos intercambiáveis, 28 pontos de articulação, Calça com cinto tático e bolsas, Óculos, Cigarro, rifle com silenciador e plaqueta com Sarah Connor e o logotipo do filme. Tudo isso pela bagatela de US $149.99 cada peça

Super-herói com nome brasileiro

Super-heróis com nome brasileiro lutando contra vilões perigosos em plena Floresta Amazônica. Trata-se da HQ Amazon – Guerreiros da Amazônia – O templo da luz, primeiro livro da trilogia que contará as aventuras desses novos super-heróis brasileiros. Criado por Ronaldo Barcelos, sócio da produtora carioca RJR Produções, o livro, com ilustrações de Ronaldo Santana, chega às livrarias por meio da editora Litteris.

Amazon: Guerreiros da Amazônia - O Templo da Luz está disponível na rede de livrarias Saraiva ao preço de R$ 30,00 cada exemplar.

Sem censura e sem quadrinhos

Por: Alex Sampaio

Antes havia a censura e não tinhamos o melhor dos quadrinhos estrangeiros. Hoje, mesmo sem censura, continuamos a não ter quadrinhos. Tentam justificar com a constante desvalorização do real e o consequente aumento dos royalties internacionais. Puro engodo! A realidade que conhecemos é bem outra. Nossos editores, juntamente com as grandes editoras, não suportam investir naquilo que eles desconfiam. A cultura do empresário brasileiro, fomentada por anos de convivência de inflação alta no passado, ainda não se adaptou a investir sem o lucro imediato. Fica mais fácil manter títulos que sejam conhecidos do grande público que “arriscar” em uma nova publicação totalmente desconhecida dos leitores de HQ. Acham-se no direito de cercear nossa condição de consumidor. Para eles, não temos ótica para vislumbrar uma boa história.

Mesmo longe dos olhos dos censores que nos privaram de tantas obras primas, continuamos sem acesso ao quadrinho de ponta, como se ainda vivessemos na era do AI-5. Os americanos conseguiram superar o período ditatorial, onde Frederic Wertham acusava os quadrinhos e sua cultura de serem prejudiciais ao caráter em formação dos jovens daquele país e, finalmente, com os Comic Codes criado, “engessou” a imaginação dos artistas por muitos e muitos anos. Lamentável!!

A Ebal, La Selva, Novo Mundo, RGE, dentre outras editoras, em seus áureos tempos, ousaram em muitas oportunidades, e lançaram em suas publicações, vários personagens que caíram no gosto popular. E o mais incrível, é que muitos deles são lembrados até hoje. Alguns até são matérias em fanzines nostálgicos.

Sabe-se perfeitamente que o que se publica no Brasil não representa nem 10% do mercado de quadrinhos em circulação.

Muitos editores alegam que o perfil do leitor brasileiro é muito limitado. Credita-se a isso, o fato dos pais sempre estimularem seus filhos aos quadrinhos infantis. “A predominância dos títulos infantis refletem a nossa realidade”, justifica um editor paulista. Seja como for, quando uma publicação conquista seu espaço, ela vende, sobrevive e influência uma camada do público. Quando a Vecchi lançou a revista Tex, jamais imaginaria seu enorme sucesso, sendo hoje, a exceção do Pato Donald, Mickey e Zé Carioca, a publicação de maior longevidade no Brasil. A Vecchi pensou em cancelar Tex no início pela baixa venda, mas Lotário Vecchi foi teimoso e resolveu continuar com a revista e em 1975 Tex já estava consolidado como campeão de vendas da editora, onde atingiu a marca de 150 mil exemplares mensais. Nenhum personagem nasce campeão, por isso, deve-se insistir até ele conquistar seu espaço. Algumas editoras estão apostando nisso e parece que vai haver luz no fim do túnel. Pelo menos temos esperanças. É isso aí!

Desenho de Tin Tin censurado na Turquia

O desenho animado "As Aventuras de TinTin" foi censurado na TV turca. O conselho regulador dos meios de comunicação da Turquia multou uma emissora privada de TV que exibiu o Capitão Haddock, um dos personagens da série, fumando um cachimbo.

Na Turquia, desde 2008 existe uma lei federal que proíbe as emissoras de TV de exibirem cenas com pessoas fumando. A medida está valendo para filmes, séries, e agora em desenhos animados.

"As Aventuras de Tin Tin" foi produzida em 1991 pelas empresas Ellipse Programmé e Nelvana, rendendo 39 episódios dividos em três temporadas. A versão animada de Tintin foi exibida no Brasil pelos canais TV Cultura, HBO Family e mais recentemente pela Rede 21, e teve todos os episódios lançados em DVD pela Logon Editora.

2/23/2010

Anônimo arremata Action Comics Nº 01 em leilão

A edição de 1938 da Action Comics Nº 01, foi arrematada em leilão por U$ 1 milhão de dólares. O comprador não se identificou. O leilão foi conduzido pelo site Comics Connect.com, que intermediou os lances. A edição do gibi conta a origem do Super-Homem. A Action Comics é publicada pela DC até hoje.

2/19/2010

Site vende estátua do Wolverine





O site Sideshow está disponibilizando uma fantástica estátua do Wolverine, em uma bela pose de guerreiro. Com uma roupa amarela, sunga e botas azuis e cinto vermelho, o personagem da Marvel chama a atenção dos fãs. O uniforme vem com tecido e cinto em couro legítimo. Mas o que realmente chama a atenção, é a feição de fúria estampada no rosto do personagem. É ver para crer.

A estátua tem 43 cm de altura x 28 cm de largura. A peça custa $ 299,99 dólares e está disponível para venda.

2/11/2010

Stan Lee cria nova HQ

O genial Stan Lee, 87 anos, co-criador de alguns dos super-heróis mais famosos do mundo, está escrevendo uma nova série de histórias em quadrinhos, na qual ele próprio tem um dos papéis principais.

A série é sobre sete aliens que se descobrem presos na Terra depois de sua nave espacial sofrer um acidente. Ele se torna líder dos aliens e os ajuda a retomar suas vidas na Terra, como super-heróis.

Com certeza a HQ vai pegar e sem dúvida poderá se tornar uma série com revista própria.

2/10/2010

Fotomontagem resgata símbolo do império americano

A bela imagem do Homem Aranha no WTC antes do atentado de 11 de setembro. Fotomontagem que resgata o símbolo do império americano. Só mesmo um super herói para livrar o capitalismo da ira dos terroristas.

2/01/2010

Entrevista: Natalia Forcat

Natalia Forcat é argentina, mas mora no Brasil há mais de dez anos. Na Argentina já desenhava, tendo publicado alguns quadrinhos nas revistas Fierro, Cerdos & Peces e El Tajo. No Brasil, fez ilustrações para revistas como Playboy, Show Bizz, Carícia, Pense Leve, Isto É Minas, Set e Set Vídeos Eróticos, Revista da Folha de São Paulo, Caros Amigos e Trekking. Entre 1998 e 2001 trabalhou como ilustradora e chargista para a Gazeta Mercantil. Colaborou com o álbum Brazilian Heavy Metal com uma história em quadrinhos roteirizada por Dario Chaves. Participou do Primeiro Concurso Nacional de Quadrinhos (HQ Brasil), ficando com o primeiro lugar na categoria tiras de jornal com roteiro de Paulo Batista. Seus mais recentes trabalhos foram ilustrações para os livros infantis e infanto-juvenis A Poesia do ABC (Cuca Fresca Edições), de Alcides Buss; Pontos na Barriga (Saraiva), de Tânia Alexandre Martinelli; Poemas Avoados (Saraiva), de Leo Cunha e Dúvidas, Segredos e Descobertas (Coleção Jabuti), de Helena Carolina. Nessa entrevista, ela nos conta um pouco dessa tragetória:

Como foi o início de sua carreira?
Acho que todo desenhista já nasce desenhando, é uma coisa que vem no sangue, como gostar de doces mais do que salgados e essas coisas. Quando se é criança, se desenha com mais prazer porque não há ninguém do lado questionando o estilo ou criticando a técnica, é puro prazer e descobrimento. Eu, particularmente, sofri um pouco quando entrei na escola primaria, pois a minha professora me proibiu de desenhar. Segundo ela, as outras crianças poderiam ficar inibidas porque meu desenho estava um pouquinho mais desenvolvido e assim fui obrigada a desenhar pessoas feitas de “palitos e bolinhas”. Lembro que isso foi terrível para mim, já que na época eu tinha 6 ou 7 anos. Na adolescência, comecei a desenhar umas coisas “mutcho loucas” , com alguma influência do surrealismo, mas usando técnicas do cartum. Mais tarde comecei a fazer quadrinhos de forma amadora , bastante influenciada pela revista El Vibora (Espanha), gostava muito e ainda gosto do trabalho de Nazario e as aventuras de Ranxerox (Tamburini e Liberatore) e quadrinhos underground americanos como os de Robert Crumb. Foi nessa época que publiquei uns poucos trabalhos na Revista Fierro, num suplemento para novos talentos, várias ilustrações na Revista Cerdos & Peces e participei de uma coletiva no Centro Cultural Recoleta antes de resolver que definitivamente não tinha nascido para morar na Argentina e me mudar para o Brasil. Cheguei no Brasil com uma pasta muito esquisita, cheia de desenhos de estilos insólitos, tudo muito underground e “punk”. Fui parar na Revista Animal, que infelizmente bem naquela época tinha fechado. Logo depois comecei a ilustrar alguns jornais sindicais do PT e na Revista Isto É Minas.

Por que você acha que a maioria dos desenhistas são homens?
Será mesmo? Mariza, Cahu, Priscila Farias, Lúcia Brandão, Cris Burger, Jinnie Pak, Eva Furnari, Maitena, Laurabeatriz…e quantas outras? Não tenho certeza se há muitos mais desenhistas homens do que mulheres, talvez haja mais desenhistas e cartunistas homens conhecidos pelo grande público, com um trabalho autoral, muitas vezes mais voltado para a área política, mas eu também conheço muitas desenhistas mulheres trabalhando na área de livros infantis, animação, mangá, livros didáticos, arte final, etc, só que nessas áreas o nome do artista não é tão divulgado, aparece em letras pequenas num canto do livro ou da revista e ninguém lê. Sempre sugiro que algum estudante faça uma tese de mestrado sobre este assunto, com uma boa pesquisa sobre a produção nacional ou, internacional, para usarmos como referência, mas ate agora não consegui convencer ninguém.

Fale um pouco sobre os seus trabalhos nas revistas que você participou:
Na revista Show Bizz, que naquela época se chamava apenas Bizz, cheguei a fazer algumas ilustrações naquele estilo mais quadrinho como eu fazia na Argentina, assim como na Revista Caros Amigos. Na Revista Caricia arrisquei a fazer um estilo que eu não dominava muito, meus desenhos eram pesados e meus personagens tinham umas caras muito feias, todos eram deformados, cheios de verrugas e pêlos, tinham seios exagerados, etc…Rsss! Mas acabei me dando muito bem naquele estilo “teen”, e trabalhei por 4 anos desenhando a personagem Tininha Hortelã, e isso me abriu muitas portas para o desenho infantil. Outro trabalho que eu gostei muito de fazer foi o da Revista da Folha, a personagem Clô. Trabalhei na Gazeta Mercantil quando morei em Fortaleza. Foram quase três anos fazendo ilustrações diárias, algumas vinhetas, e eventualmente uma charge ou um bico de pena. O fato de ter que fazer ilustrações diárias foi uma experiência interessante pois você fica em forma, como quem malha todos os dias.

E as criações de capas de Cds e livros infantis?
As capas de Cds foram produzidas para a Paradoxx, através do estudio de design gráfico Quarto Mundo. Foi muito bacana pois tive a oportunidade de experimentar técnicas e materiais diferentes, como massinha, montagem, confecção de objetos de papel maché, esculturas, colagens. Foi uma experiência muito enriquecedora em termos de técnica. Atualmente estou trabalhando com um amigo meu, roteirista e ilustrador, produzindo material para livros infantis com muito carinho, em breve estarão nas prateleiras!

Existe algum desenhista que a inspirou no início de sua carreira?
Como toda criança, adorava assistir desenhos da Disney, também gostava dos gibis de Quinterno e Garcia Ferrer: Patoruzú, Isidoro, Hijitus, mas tarde de Quino: Mafalda e os quadrinhos de Fontanarrosa: “Las aveturas de Inodoro Pereira y su perro Mendieta” e “Boogie, el aceitoso”. Ao crescer me apaixonei pelo mundo dos quadrinhos chamados de underground, tanto europeus como americanos, mas não acho que tenham me influenciado tanto no resultado final do meu trabalho, talvez sim no começo da minha profissão.
Algo que acho muito interessante é o projeto das HQs em forma de livro nas escolas para o aluno firmar mais ainda o seu aprendizado, pois qualquer criança gosta de ler uma historinha em quadrinhos. O que você acha desse projeto?
Acho legal, sim, sobretudo para despertar o interesse pela leitura nas crianças pequenas, mas também acho fundamental a leitura de livros. Hoje em dia parece que existe uma tendência para dar tudo digerido e simplificado para as crianças. Parece haver uma obsessão para transformar a educação em algo necessariamente divertido. Não entendo, acho que as crianças têm que crescer sabendo que nem tudo vai ser tão divertido assim na vida o processo de aprendizagem pode ser custoso e difícil. Ao meu ver, a educação está deixando de lado o conteúdo, simplificando demais. Hoje em dia tem que ser quase um palhaço ou um ator para conseguir prender a atenção dos alunos . Pode- se usar o quadrinho, por exemplo, para fixar algum fato histórico, para enriquecer o currículo escolar, para ensinar às crianças a fixar a atenção, para estimular o prazer pela leitura mas não se pode, de forma alguma, dispensar os livros, as crianças têm que aprender a interpretar textos mais longos e complexos. Não podem ter medo dos livros! Você pode ate achar estranho eu dizer isto, gostando tanto de quadrinhos mas o fato é que cada vez as crianças aprendem a ler mais tarde e lêem menos. Isso me assusta, quadrinhos podem ajudar a mudar esse quadro desde que sejam usados criteriosamente.

Como você acha que anda a cultura no Brasil em relação aos outros países?
O Brasil é um país com uma riqueza cultural imensa e muito forte , com muita personalidade. Isso sempre me chamou a atenção. Acho que é um país musical e visual e talvez por isso, os quadrinhos tenham tudo a ver com o Brasil.

E onde está o nosso lado forte?
O lado forte eu penso que é a música, alem de ter personalidade e qualidade, é insuperável!

E o nosso lado fraco?
O que precisa ser fortalecido, assim como no resto de América Latina, é a educação. Os governos precisam investir de verdade em educação, em programas de alfabetização para adultos, em educação com conteúdo, questionadora e que ensine a pensar.

Eu leio muito e indico o livro "Desvendando os Quadrinhos - Autor: Scott MacCloud, Editora: M.Books. Você indica algum livro que trás referência aos quadrinhos ou a arte em geral?
O livro do Maccloud é muito interessante mas eu gosto de indicar e ler quadrinhos mesmo. Durante algum tempo frequentei a Gibiteca Henfil, quando ficava no outro local, perto do Metrô Vila, mas infelizmente hoje se encontra meio abandonada e tem poucos títulos. Para “desvendar “ os quadrinhos recomendo ler : Hugo Pratt, Will Eisner, Moebius, Guido Crepax, Milo Manara, H.G. Oesterheld, Enrique e Alberto Breccia.

Conheço ótimos desenhistas como o Tibúrcio, o Rico, Velasco, Joacy Jamys, Calazans, Moura, Jorge Barreto, Juska e muito outros como você, no qual todos tem um traço e uma técnica inigualáveis. Você gostaria de comentar sobre mais algum desenhista ou ilustrador que tenha traços e técnicas irreverentes?

Sim! Sou fã de vários artistas brasileiros. Dizer que gosto do trabalho do Laerte, do Gonzales e do Angeli é meio obvio, mas não quero deixar de citá-los pois são demais. Admiro muito, também, o trabalho de Mario Vale, ele tem um traço muito pessoal e consegue passar uma mensagem forte e contundente com um estilo de aparência singela. Acho isso genial! Também gosto e recomendo os cartuns e tiras do Gilmar e do Junião. Outro que admiro é o Spacca, é um artista genial, brilhante! As caricaturas dele são de uma sensibilidade e qualidade que poucos conseguem alcançar, com um traço simples e certeiro.

Fale sobre os seus prêmios e participações em salões de humor?
Participei do Primeiro Concurso Nacional de Quadrinhos (HQ BRASIL) ficando com o primeiro lugar na categoria tiras de jornal (roteiro do Paulo Batista) e tive cartuns selecionados no Salão de Piracicaba e no Salão Pernambucano de Humor no ano 1999 e 2003.

O imbróglio da Internet no mundo dos fanzines

Por: Alex Sampaio*

Fanzine é um meio de comunicação, podendo ser produzido por diversos estilos ou assuntos. O que diferencia o fanzine de outros jornais é a liberdade de expressão que nele encontramos. Nele encontramos diversos assuntos. Existem fanzines sobre os mais variados temas, desde histórias em quadrinhos, música, cinema, poesia ou arte. Na maioria das vezes, os fanzines são xerocados, mas nos últimos anos, com a tecnologia ao alcance de todos, os fanzines melhoraram bastante sua qualidade gráfica. No resumo, fanzine é uma abreviação de fanatic magazine, mais propriamente da aglutinação da última sílaba da palavra magazine (revista) com a sílaba inicial de fanatic. Trata-se de uma publicação despretensiosa, eventualmente sofisticada no aspecto gráfico, dependendo do poder econômico do respectivo editor, mas basicamente feita de maneira artesanal, sem muitos investimentos na sua apresentação. Para o editor, o que conta mesmo é o seu conteúdo.

No Brasil o termo fanzine é genérico para toda produção independente. Houve uma distinção entre fanzine e produção independente, mas a disseminação do termo "fanzine", fez com que toda a produção independente no Brasil fosse denominada fanzine.

O primeiro fanzine brasileiro foi o Ficção, criado por Edson Rontani em 1965 em Piracicaba, São Paulo. Criado em uma época que o termo que definia produção independente era "boletim", o fanzine trazia textos infomativos e uma interessante relação de publicações brasileiras de quadrinhos desde 1905. Os Zineiros afirmam, sem pestanejar, que os fanzines que hoje conhecemos surgiram no final da década 70, junto com o movimento punk na Inglaterra. Existem os que afirmam que eles teriam surgido nos Estados Unidos, na década de 30 do século XX, em plena grande depressão americana. De acordo com essa versão, o primeiro fanzine dessa época, então conhecido como fanmag, foi publicado por Ray Palmer para o Science Correspondence Club, em maio de 1930. O fanmag chamava-se The Comet e falava de cinema e literatura de ficção científica.

Em 1941, o americano Louis Russel Chauvenet teve a idéia de chamar essas publicações de fanzine, juntando as palavras fan e magazine. Nessa época usava-se o mimeógrafo. Ainda na década de 30, foi criado algo que mudaria para sempre a história dos fanzines: A xerox, inventada por Chester Carlson. Com o incremento dessa descoberta, os fanzines ganharam outros contornos para a disseminação da sua proposta. Com o advento da fotocopia em Xerox, as tiragens também aumentaram, dando a oportunidade de leitura a mais pessoas. Sem dúvida, foi um grande avanço.

No cenário brasileiro, os fanzines cresceram principalmente no meio underground, onde sua disseminação atingia uma enorme fatia da segmentação. Nele, era possível saber o que estava rolando no Brasil e no mundo. Era o espaço para se comunicar de fato.

Nesse contexto de tantas publicações independentes, podemos encontrar todo tipo de opinião, inclusive as mais radicais. Embora a grande maioria dos autores optem por abordar temas culturais, os fanzines também despertam para temas anárquicos e políticos. Críticas e protestos existem e são conhecidos no meio.

Os fanzines nascem espontâneos, sem auto-crítica e arfando de ansiedade por ser conhecido e conhecer outros párias como ele. Os editores buscam uma afirmação no meio, para que seja satisfatória sua permanência por um longo período. Geralmente o autor escreve sobre aquilo que gosta e tem afinidade. A distribuição basicamente é gratuita e quase sempre na forma de permuta. Os Correios são o elo principal na integração desse meio, pois distribuem as publicações para todos os leitores que participam dos contatos. Feito de pequenas tiragens, os fanzines têm como distribuidor principal, justamente a via postal, por ser uma produção independente, tornando o custo o mais acessível para viabilizar a continuidade do mesmo.

Muitos editores de fanzines alegam que resolveram partir para a iniciativa de publicar algo, movido principalmente pela insatisfação de não encontrar nada que lhes agradassem em banca. Um dos fatores mais problemáticos para quem edita fanzine, é sem dúvida a venda do seu produto. Como vender algo em que todos os leitores são basicamente também editores? Viver de permuta é algo complicado. A impressão é a alma do negócio e imprimir um zine com 40 páginas custa caro. Entende-se por aí, que permutar publicações é algo que não mantém um fanzine por muitos números. Outro problema enfrentado pelos editores, é quanto a distribuição. O custo de remessa tem subido muito. Os Correios reajustam as tarifas com certa freqüência e muitos editores ficam inviabilizados de prosseguirem com suas publicações. Se o editor tem recursos, vai ter uma tiragem dos sonhos, e a distribuição conseqüentemente melhora. Mais vendas, mais divulgação, mais anunciantes e assim o caminho segue.

Percebe-se perfeitamente, que para manter uma publicação por muitos anos, é preciso melhorar sempre, crescer em todos os sentidos e ser fiel ao seu intento, que é encher de informação, informação e informação as páginas de cada edição. Seguir fazendo um trabalho sério e conhecer sobre o que se escreve.

Oscar Cristiano Kern foi um dos pioneiros dos fanzines no Rio Grande do Sul e no Brasil. Sua publicação independente, a Historieta, se estendeu de 1972 a 2003, sendo o zine com maior longevidade na história do Brasil. Com este trabalho, Kern contribuiu muito para a divulgação de novos artistas e posteriormente se profissionalizaram no mercado editorial e artístico brasileiro. Foram anos dedicados a Historieta, que ficou famosa pelo seu formato horizontal. Quem teve a oportunidade de conhecer este fanzine, jamais esquecerá. Kern caprichava na elaboração e na escolha das HQs que seriam publicadas em cada número. Kern Também trabalhou para a Editora Abril criando histórias para personagens como Tio Patinhas, Donald, Mickey, Pateta, Aristogatas, Peninha e Zé Carioca.

Um dos grandes questionamentos atualmente sobre publicação de fanzines, é quanto ao seu modelo. Se no modo impresso, dando prosseguimento a sua origem, ou se do modo virtual, acompanhando a evolução da tecnologia via Internet.

A alegação para uma mudança brusca para a Internet, é devido principalmente ao alcance nacional e mundial que essa ferramenta possibilita. Os fanzines a algumas décadas, possuía uma comunicação muito lenta e o alcance muito limitado. Graças ao trabalho incansável de alguns abnegados, eles sobrevivem até hoje, mesmo com toda a dificuldade de distribuição, impressão e recursos ínfimos.

Um fanzine de sucesso, que alcança uma venda de 50 exemplares tem seu trabalho sendo correspondido por no máximo, 300 pessoas. Claro que fanzines, feitos em capitais com distribuição local, podem alcançar números muito, mas muito mais expressivos. Mas fora do seu gueto não vendem tanto. Assim sendo, com o advento da rede mundial de computadores, o alcance é ilimitado e sem dúvida, o custo bem mais baixo. Outro fator determinante para uma reflexão acerca do assunto, é a capacidade de se atualizar as notícias de maneira instantânea. Outro ponto a favor da nova tecnologia, é o excelente acabamento gráfico que se pode dar ao trabalho virtual. Isso possibilita uma leitura mais agradável.

Assim sendo, a rede é um excelente negócio, seja lá qual for sua finalidade. É uma oportunidade ao alcance de todos. Os editores de zines podem aproveitar a rede para se mostrarem ao mundo. O contato com os leitores é muito mais próximo, mais rápido e barato do que em publicações impressas. Se bem que o papel é muito mais agradável na opinião de muitos.

Um detalhe importante sobre o uso da Internet, é que ler na tela do computador é diferente de ler um livro. A Internet está quebrando o estilo de leitura linear e concentrada, própria dos livros. Ou seja, as pessoas estão lendo menos e pior. Assim como a cultura oral já esteve em decadência um dia, é a vez da escrita passar a ter menos relevância. Como a televisão mostrou sua importância na década de 70, como um meio capaz de proporcionar experiências culturais enriquecedoras, ela nos trouxe uma perda grande para a leitura.

A melhor maneira de conviver com tantos conflitos culturais, é aceitar todas as formas de cultura, desde a cultura oral até a cibercultura. É conviver e sincronizar na constituição de uma trama cultural hiper complexa e híbrida.

Os estudiosos são enfáticos em dizer que o lugar ocupado pela escrita nunca será ocupado, pois ela é a única fonte de informação oficial no mundo. Ela desperta a magia da história e o sentimento em que o autor colocou no papel. Qual é o tipo de tecnologia que desperta o conhecimento de uma forma imaginária? O Livro sempre será único!

Na verdade, a Internet é cansativa e não tem a mesma versatilidade que o livro. Nessa mesma linha, podemos imaginar que embora a tecnologia da internet se mostre forte para busca de informações, ela apenas aflora mais um modo de leitura, mas nunca tomará o lugar da escrita no papel, já que na rede mundial as fontes de informações não são tão seguras e nem tudo que é encontrado na internet é válido. Logo, eis uma boa reflexão para se fazer a respeito da leitura da internet X livros.

Será que as publicações em papel estão mesmo em decadência? O fim está mais próximo? Fica a pergunta para reflexão. Creio que haverá uma grande discussão sobre o tema, onde muitos se mostrarão a favor do papel impresso e uns tantos outros defenderão a Internet como futuro da HQ nacional.

*Alex Sampaio é colecionador de gibis, editor do zine Made in Quadrinhos e colunista de diversos sites na Internet.

O Pós Modernismo nos Quadrinhos

Por: Afrânio Garcia

Os últimos vinte e cinco anos do século XX podem muito bem ser chamados de “era da desilusão”. Após um começo de século em que se tinha grandes esperanças na guerra, veio um meio de século em que se tinha grandes esperanças na paz, culminando com o tempo dos hippies, do “flower power” e do “paz e amor”. A partir dos anos setenta, porém, perdeu-se a esperança num futuro brilhante e passou-se a viver exclusivamente para o presente, procurando apenas nos adaptar e habituar a viver com as imperfeições, erros e misérias que a vida nos destina, desde as pichações nos muros até o tráfico de drogas desenfreado, praticamente em todas as grandes cidades do mundo.


Nesse contexto, as histórias em quadrinhos tiveram que se modificar, já que um herói tornou-se uma coisa inviável num mundo em que o indivíduo significa muito pouco (e a propaganda insiste em apresentar o indivíduo como algo ainda mais insignificante) e há muito pouca aventura possível para aqueles que não controlam o poder. Assim sendo, as histórias em quadrinhos pós-modernas mostram: violência desenfreada; ignorância e escatologia, impotência e servidão, o nada do fim do nosso século.


A ultra violência é talvez a característica mais marcante dos heróis das histórias em quadrinhos depois de 1980. Isso é facilmente explicado pela falência da sociedade civil e pelo descrédito do cidadão comum na lei.


Num mundo em que o heroísmo não tem mais lugar, em que o sentimento de impotência do indivíduo diante de coletividades e corporações tentaculares é opressivo, resta ao herói bem pouco espaço para existir. Neste mundo desindividualizado, o herói passa a ser um exilado, um “outcast”, um ser marginalizado, já que a sociedade pós-moderna não lhe possibilita o exercício de seu heroísmo. Neste sentido, o herói pós-moderno assemelha-se ao herói romântico, nessa perspectiva escapista que ambos possuem, de viverem num mundo só deles, distante do mundo real.


Mas a esperança no futuro não foi absolutamente abandonada nos heróis das histórias em quadrinhos pós-modernos. Embora o último quarto do século XX possa justificar o verso de Drummond, “agora é tempo de fezes e maus poemas”, o autor de histórias em quadrinhos, conscientemente ou inconscientemente, crê na possibilidade de um Renascimento em um tempo futuro e apresenta vários arautos deste Renascimento. Com esses personagens, que tudo sabem e nada fazem, sempre à espera de um Renascimento que virá, retratam nossas frustrações e esperanças num mundo em que o indivíduo é, cada vez menos, parte integrante na construção da sociedade à qual pertence.

1/06/2010

Quadrinhos raros jogados no lixo





Um espanhol encontrou uma pilha de revistas em quadrinhos e cartas jogadas no lixo na rua Jussieau, em Paris, e ficou intrigado. Recolheu parte do material e foi pesquisar na internet quem era o dono daquele acervo. Ao descobrir que pertencia a Claude Moliterni, resolveu denunciar a polícia. Afinal, por que suas cartas, livros e documentos foram parar na calçada? Quem fez isso com esta valiosa coleção?

Claude Moliterni foi um importante historiador e quadrinista francês que faleceu em janeiro de 2009. Além do trabalho individual, foi um dos idealizadores do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême e do International Comic Organization (ICON), o 1º Congresso Internacional de Quadrinhos, que aconteceu em abril de 1972, em Nova York. Isso sem falar na produção da primeira Enciclopédia Larousse dos Quadrinhos. O artista veio ao Salão de Humor de Piracicaba em 1979. A policia está investigando o caso.

12/02/2009

Escultura de Mafalda ganha admiradores

A população de Buenos Aires, na Argentina, está prestigiando a escultura de Mafalda na entrada do prédio do bairro de San Telmo onde seu criador, o desenhista Joaquín Salvador Lavado, mais conhecido como Quino, viveu. A inauguração aconteceu em agosto de 2009. A obra foi elaborada pelo escultor Pablo Irrgang.

A escultura, que respeita o tamanho natural de uma menina como Mafalda, obteve a aprovação de Quino, que visitou a oficina de Irrgang algumas vezes durante o processo criativo.

11/06/2009

Quadrinhos que valem milhões



Como o comércio de desenhos originais de história em quadrinhos criou um mercado que movimenta milhões de dólares por ano.

Por: Thiago Cid

Até pouco tempo atrás, colecionar histórias em quadrinhos era coisa de criança. Hoje em dia, as páginas sobre aventuras de detetives e super-heróis ganharam status de arte pop e colecioná-las se tornou um passatempo com que poucos adultos podem arcar. Especialmente se o objeto de desejo forem os desenhos originais usados para criar as revistas. Nos Estados Unidos, o comércio desses originais criou um mercado sólido que desafia a crise e mantém convenções e leilões regulares, onde um desenho em papel pode alcançar preços de até seis dígitos.

É o caso de um desenho do personagem Lanterna Verde, assinado por Neal Adams e Bernie Wrightson, que o colecionador e comerciante Joe Mannarino comprou por US$ 115 mil, ou cerca de R$ 265 mil. Ele achou uma barganha. Em termos de quadrinhos, Mannarino sabe o que faz. Ele trabalhou por 30 anos como executivo de diversas editoras e é o agente de alguns nomes ilustres do meio, como Frank Frazzeta - mestre dos quadrinhos cujos traços realistas deram vida a Conan, o Bárbaro, Homem Aranha e Tarzan - e Jim Steranko, que já desenhou todo o panteão de heróis da Liga da Justiça, entre os quais figuram Super-homem, Batman e Mulher Maravilha.

Segundo Mannarino, não há um total de quanto o mercado de desenhos originais movimenta por ano, mas ele arrisca uma renda de pelo menos US$ 100 milhões. “Em uma convenção em San Diego, na Califórnia, há poucos meses atrás, eu vendi US$ 1,5 milhão, R$ 3,5 milhões, em três dias”, afirma, ressaltando que não é o único grande comerciante do setor.

Jerry Weist é um outro grande colecionador e escreveu o Guia de Preços de Comic Art, como são chamados, em inglês, os desenhos originais. Weist conta que já viu transações que chegaram a US$ 200 mil, ou R$ 465 mil, como a capa da revista Weird Science nº 16, de 1952, que traz uma invasão de alienígenas saídos de um disco-voador.

A procura por quadrinhos se tornou tão grande que convenções internacionais, como a San Diego Comic-Com, realizada em San Diego, nos EUA, atraem centenas de milhares de pessoas. Prestigiosas casas de leilão, como a Sotheby's, de Londres, perceberam o filão e realizam vendas dessas obras.

Mas como simples desenhos podem ter chegado a esses valores? Segundo Mannarino, parte da valorização se deve à história, parte ao reconhecimento - segundo ele, merecido - do talento dos ilustradores das histórias. A parte histórica se refere à Era de Ouro dos quadrinhos, que foi de 1938 a 1949, também conhecida como a fase dos super-heróis clássicos. Foi quando nasceram personagens como o Super-Homem, criação de do escritor Jerry Siegel e do artista Joe Shuster, cuja primeira aparição foi na revista Action Comics nº1. Mannarino tem um exemplar dessa edição avaliado em US$ 34 mil - R$ 79 mil.

Dessa fase restaram poucos originais. Dois foram os motivos: durante a Segunda Guerra Mundial, houve um esforço nacional para coletar materiais para serem usados na guerra. Tudo era reciclado e não entregar sua coleção de quadrinhos em nome da guerra poderia ser visto como anti-patriótico. O segundo motivo foi o medo das editoras de que burlassem os direitos autorais. Por isso, logo após concluírem os negativos, os editores jogavam fora os originais. O resultado é uma escassez de obras que faz as remanescentes valerem milhares. “Não há nenhum desenho original do magnífico Joe Shuster. Se houvesse, valeria centena de milhares de dólares”, afirma Mannarino.

A segunda fase compreende os anos de 1950, quando os super-heróis estavam em baixa e o interesse migrou para histórias de terror, ficção científica, crime e mistério. Essa fase gerou revistas como Contos da Cripta, que virou uma série para TV americana, e Tex, sobre as aventuras de um cowboy, que até hoje são vendidas nas bancas.

A terceira fase seria o renascimento dos super-heróis, primeiro com o surgimento de Flash, o homem mais rápido do mundo, pela DC Comics. Mas o marca da nova era foi quando o roteirista e diretor da editora Timely, Stan Lee, e o artista Jack Kirby, conhecido como o rei dos quadrinhos, transformaram-na em uma editora com o nome de sua principal publicação: Marvel Comics. A Marvel nasceu para fazer frente à DC e seu crescente sucesso e gerou super-heróis como o Quarteto Fantástico e os X-Men. Nascia ali a Era Marvel dos quadrinhos, que para alguns durou até a década de 1970 e para outros permanece até hoje.

O critério para avaliação de um quadrinho não depende necessariamente de sua data de publicação. Para Weist, valem mais fatores como o autor do desenho, a importância do personagem, se é uma história comum ou um grande acontecimento na vida do herói. Um desenho original de Dick Tracy do anos de 1959 sai por US$ 2 mil, perto de R$ 4500, enquanto um desenho de Jack Kirby dos anos de 1980 pode ser avaliado em US$ 10 mil, ou cerca de R$ 23 mil.

Mas o mercado de "comic art" não vive só de super-heróis. No início do mês, a casa de leilões Bonhams, de Londres, vendeu um desenho dos personagens infantis Ursinho Pooh, Tigre e Leitão por US$ 50 mil, aproximadamente R$ 115 mil. Não há muito apuro artístico no desenho, feito a lápis. O valor estava nas mãos que deram forma aos traços: E.H. Shepard, um dos ilustradores mais famosos da literatura infantil mundial.

Além dos Estados Unidos, a Europa é outro local onde há grande procura por originais de quadrinhos. O maior negócio já realizado ocorreu em um leilão em Paris, quando uma pintura de 1932 do personagem Tintin, do artista belga Hergé, foi vendida por 764 mil euros, o que equivale a R$ 2,6 milhões.

Um dos exemplos de fanáticos que consolidaram o velho continente como o mais recente mercado de quadrinhos é o colecionador Bernard Mahé, que deixou seu emprego em um banco de investimentos para abrir a Gallerie du 9éme Art na capital francesa Paris. Ele deseja pavimentar de vez o caminho para a nova geração de colecionadores, que preferem os exclusivos originais às coleções de revistas, que são um produto industrializado e com milhares de reproduções autênticas.

Sobre o alto valor, nenhum colecionador acha que os originais estejam supervalorizados. Joe Mannarino até arrisca uma comparação com arte moderna. “O talento de um artista para criar com perfeição cenas fantásticas não pode ser depreciado. Ele não possui modelos, tem de criar tudo da cabeça e o traço é perfeito”, argumenta. Mannarino também lembra que artistas como Carmine Infantino ou Curt Swan faziam revistas inteiras com nove quadrinhos em cada uma das 26 páginas todos os meses. “O mestre Jack Kirby desenhava e escrevia os roteiros de cinco revistas por mês, todas com perfeição. Por isso os autores começaram a ser venerados”.

A cara diversão de homens como Weist e Mahé deixou assegurado este “super-legado” para as gerações futuras. Sem medo da crise, eles até dizem que, em tempos de crise, é preferível investir em quadrinhos do que arriscar em ativos podres do mercado financeiro. “O mercado de originais de quadrinhos já existe há 40 anos e nos últimos cinco anos teve um impulso tremendo. O passar do tempo só faz as obras valorizarem e quem gastar um dinheiro com elas hoje certamente terá lucros mais na frente”, diz apaixonado Joe Manarino.

11/05/2009

Mangá como cultura popular

Por: Fabio Ramos*

Desde a década de 80, quando os primeiros mangás chegaram ao Brasil, os quadrinhos japoneses conquistaram legiões de fãs no país. Mangá é o nome dado às histórias em quadrinhos de origem japonesa. A palavra surgiu da junção de outros dois vocábulos: man, que significa involuntário, e gá, imagem. Os mangás se diferenciam dos quadrinhos ocidentais não só pela sua origem, mas principalmente por se utilizar de uma representação gráfica completamente própria. Pra começar, o alfabeto japonês se compõe de ideogramas que não só representam sons, mas também idéias. Assim, em um mangá o texto em geral, mas principalmente as onomatopéias, fazem parte da arte. A ordem de leitura dos mangás também é diferente daquela que estamos acostumados. Um livro japonês começa pelo que seria o fim de uma publicação ocidental. Além disso, o texto é disposto da direita para a esquerda. No mangá, a imagem tem mais peso que as palavras. Da-se grande importância ao contexto nas narrativas.

Outra característica peculiar dos mangás é que eles são publicados em volumes de mais ou menos 200 páginas cada, o que permite aos autores criar histórias mais longas e aprofundadas. Nos últimos tempos, a supremacia dos gibis ocidentais vem sendo ameaçada pela invasão dos mangás. E eles não chegam sozinhos. No meio audiovisual, os animes, ou desenhos animados japoneses, também estão dominando. Dessa forma, em um mangá é comum ver várias páginas só de imagens, sem diálogos, e também ações que se desenrolam por muitos quadrinhos e abordadas por diferentes pontos de vista. A disposição dos quadrinhos em uma página de mangá é diferente daquela que se costuma ver num comic americano, que costuma ter 3 ou 4 fileiras de quadrinhos por páginas. Como os mangakás (nome dado aos autores de mangás) dispõe de um espaço maior para contar sua históra, também empregam um número menor de quadrinhos por página - não é difícil ver página até sem quadrinhos, com uma única imagem estourada. Também é característica dos mangás serem feitos completamente em preto-e-branco e em papel jornal, o que torna o produto mais barato e faz com que ele seja consumido por todo tipo de pessoa - no Japão eles são lidos por crianças, estudantes, executivos, donas-de-casa…

Esses são apenas alguns pontos que caracterizam os mangás. Só que o principal é a capacidade que eles têm de encantar pessoas do mundo todo. Ler um mangá é uma experiência única. É mergulhar em um mundo próprio. Cheio de ação, emoção, heróis, criaturas mágicas e muita, muita diversão. Nas HQs ocidentais, a trajetória dos protagonistas pode permanecer a mesma durante anos e é possível prever o desenrolar de cada enredo. No mangá, os personagens se transformam constantemente, passando por diversas formas de apresentação — muitos, inclusive, envelhecem. E mesmo que determinada trama tenha alcançado muito sucesso, ela não volta a ser publicada. Os quadrinhos japoneses são notórios pela economia de texto e pela força das imagens. Descrições, narrações e diálogos geralmente são mínimos e ditam um ritmo de leitura acelerado. Por outro lado, as onomatopéias são presença marcante

Existem várias palavras relacionadas ao universo mangá, que com certeza para os que não acompanham a cultura milenar, torna-se uma tremenda confusão. Anime é um termo que designa os desenhos animados japoneses, também pode ser grafado como "anime". É a abreviação de "animation" e ganhou força nos anos 60 graças ao pioneiro do mangá Osamu Tezuka. Dojinshi é uma palavra que define os fanzines japoneses. Fanzine é um tipo de publicação amadora cujo nome vem da junção das palavras "fan" e "magazine". Existem fanzines no mundo todo sobre rock, poesias, cinema, quadrinhos e etc. Muitos se dedicam a publicar histórias feitas por amadores. Impressos em xerox ou off-set, os fanzines são a porta de entrada de muitos artistas em início de carreira. No Japão, a coisa não é diferente, mas o mercado dos dojinshi é bastante profissional. Impressões luxuosas são vendidas em convenções espalhadas pelo país e com desenhos que muitas vezes não deixam nada a dever às publicações profissionais. Hentai literalmente, significa "anormal" e é a palavra usada pra definir o material de mangá e anime de cunho erótico. Kaiju normalmente traduzido como "monstro", o termo ganhou popularidade com os "kaiju eiga" (ou "filmes de monstro"), que foram a base do cinema de ficção japonês. Iniciando com Godzilla em 1954, o gênero reinou nos anos 60, mas perdeu força com a invasão dos super-heróis para TV. Os "kaiju" mais famosos no Japão são: Godzilla, Mothra, Gamera, King Ghidra e Baltan (da saga da Família Ultra). Existem muitas outras palavras sobre o gênero, que sem dúvida os interessados passarão a conhecer na medida da convivência.

Como se vê, o mangá é algo enraizado na cultura japonesa há mais de três gerações. É natural que muitos leitores de mangá desejem um dia se tornarem também desenhistas ou roteiristas de mangá. Nos anos 50, período em que a maioria da população japonesa não tinha recurso, popularizou-se as casas de aluguel de mangás. Nos anos 60/70 elas deram lugar às livrarias como hoje conhecemos, e a lenta recuperação da economia japonesa trouxe dinheiro para o bolso do povo, que começou a dar-se ao luxo de comprar o que antes só podia alugar. Nos anos 80 a coisa explodiu, e algumas revistas semanais alcançaram a monstruosa marca de cinco milhões de exemplares vendidos semanalmente. . Artistas como Katushiro Otomo ( Akira ), Nobuhiro Watsuki ( Kenshin e Samurai X ) e Naoko Takeuchi ( Sailor Moon ) são referências no Japão, principalmente por terem começado na arte através dos Dojinshis, os fanzines japoneses.

Os animês japoneses tornaram-se hoje em dia cultura pop internacional e transitam livremente pela Ásia e Europa, embora tenham tido origem no Japão. Interessante é que até o mercado americano onde os super-heróis são tradicionalmente a linguagem dos quadrinhos abriu suas portas para este estilo quase que por acaso. Isto tudo aconteceu na época em que Miller assinava seus primeiros sucessos e o mangá era ignorado nos EUA. Reza a lenda que Frank Miller, certa vez, ganhou de um amigo uma antologia de O Lobo Solitário, em japonês, que ele passou a folhear até gastar suas centenas de páginas — depois de digerir as imagens daquela violenta história de samurai, de investigar e de refletir sobre o universo dos guerreiros do País do Sol Nascente, regurgitou tudo em uma obra experimental e revolucionária, em que ousou narrar em uma nova linguagem gráfica — nascia, então, o primeiro mangá americano. Ronin, foi lançado precisamente em julho de 1983, nos EUA, pela DC Comics, em formato de minissérie, em 6 partes. Ronin é pioneiro por ter sido o primeiro romance gráfico a ser visto como um projeto de ponta pela DC Comics, também por conter a mítica cultural e os costumes japoneses, ao mesmo tempo em que apresenta um manifesto contra o corporativismo empresarial nipônico, que começava a ameaçar a América dos anos 80. A obra, ainda hoje, é considerada surpreendente. O personagem Ronin é um samurai sem mestre, que reencarna em um deficiente físico, numa Nova York futurista e degradada, mergulhada em decadência.

A realidade é que, Sem dúvida, os mangás hoje dominam todos os mercados de quadrinhos do mundo. Dragon Ball sozinho vende mais que todos os super-heróis norte-americanos reunidos. Isso no Brasil, na Argentina e na Europa. Mas o mais importante é que os mangás estão revelando para os leitores e quadrinistas ocidentais novas maneiras de ver e fazer quadrinhos. Falar de qualquer assunto e para todo o tipo de público. Porque, no Japão, quadrinhos não é só para criança. A cultura popular japonesa não se resume a febres momentâneas. Também, é importante desmanchar visões preconceituosas que acham que quadrinhos japoneses são personagens de olhos grandes, e lutar contra visões distorcidas que acham que mangás são pura violência. Aliás, esses detalhes são traços característicos do mangá, os olhos arregalados é na verdade para melhor transmitir aos leitores as sensações das personagens através das expressões faciais. Os mangás significam 40% da produção editorial do Japão. É uma tradição que começou há muitos séculos e que passa por várias artistas. Que o mangá já está consolidado no mercado brasileiro, disso já sabemos, mas que não se faça somente tradução, vamos criar nosso mangá também.

* Fabio Ramos é colecionador de gibis, jornalista free lancer e colunista do nosso blogger.

ENTREVISTA: Henrique Magalhães

Henrique Paiva de Magalhães é um daqueles caras bem persistentes. Este paraibano, nascido em João Pessoa, criou vários personagens de HQ e se tornou um dos batalhadores mais incansáveis em prol dessa arte. Por anos teve suas tiras publicadas em vários jornais brasileiros e até em Portugal. Atualmente se dedica a sua editora Marca de Fantasia, onde publica vários livros, muitos dos quais voltados aos quadrinhos. Nessa excelente entrevista, ele fala da sua iniciação no mundo dos quadrinhos, seus personagens, suas idéias, sua editora e sobre os fanzines como publicação alternativa. Confiram o bate papo.

Por Alex Sampaio*

1. Quem é Henrique Magalhães?Eu diria que sou um sonhador, mas que, por precaução, mantenho os pés firmes no chão. Aliás, não precisa se alienar para viver de sonhos. Transformei minha arte, meu sonho, em algo prático. Na impossibilidade de viver de quadrinhos, virei professor e amplio o sonho de produzir publicações independentes – fanzines, revistas – com meus alunos.
2. Como surgiu seu interesse pelos quadrinhos?Como acontece com toda criança, na descoberta das primeiras leituras, no encantamento de uma linguagem não só escrita, mas, sobretudo visual. Ao menos em meu tempo de garoto, quando a televisão apenas começava a ganhar importância, nossas viagens se davam por intermédio dos quadrinhos, seja com as aventuras fantásticas de Tio Patinhas, com o maravilhoso universo infantil de Luluzinha e Mônica ou até com os dramas existenciais do Homem Aranha.

3. Qual sua formação como desenhista?Procuro sempre afirmar que não me considero um bom desenhista, apenas desenvolvi um modo particular de me expressar. Minha formação deu-se pela observação, pela cópia e recriação. Desde cedo eu praticava o desenho ampliando as personagens que mais gostava. Isto me deu uma certa noção de proporção e expressividade. Daí a criar minhas próprias personagens foi um passo natural, uma necessidade de comunicação e expressão.

4. Como surgiu sua personagem Maria?Eu começava a sentir vontade de não mais copiar figuras isoladas, mas criar histórias que me vinham à mente. Ainda adolescente, tinha uma grande vontade de me mostrar ao mundo, de dizer o que sentia, de enfim me afirmar como indivíduo pensante. Maria surgiu em 1975, quando eu tinha 17 anos, quase 18. Para criá-la fiz uma breve pesquisa sobre as personagens nas revistas que mais curtia. Estava descobrindo as tiras, publicadas no Caderno B do Jornal do Brasil, nas revistas Grilo, O Bicho, Patota e Eureka. As tiras, com seu formato breve, sucinto, de conteúdo questionador e instigante, me seduziam. Para não criar algo semelhante ao que já existia, observei que praticamente não havia personagens femininas nas tiras, com exceção de Mãi...ê!, de Mell Lazarus. Trabalhar então com o universo feminino foi o que me pareceu mais sedutor, pelo ineditismo e porque eu me identificava muito com ele. Depois vim descobrir que existia Marly, de Milson Henriques, mas esta personagem não tinha a mesma abordagem de Maria.

5. Maria foi publicada por anos em jornais, tendo um sucesso inquestionável. O que não deu certo para seguir um caminho definitivo no meio editorial?É notório o descaso das grandes editoras com os quadrinhos brasileiros. Não há investimento na área e o máximo que elas fazem é reproduzir porcamente (com traduções mal-feitas e cortes grosseiros) as personagens consagradas e de lucro certo. Neste contexto, Maria não teria mesmo a menor chance de circular em nível nacional. Quando Maria se firmou como personagem já não havia mais as revistas de tiras, onde talvez ela pudesse ser publicada, como ocorreu com Marly, de Milson, que saiu na Patota. A saída foi publicá-la nos jornais diários da Paraíba, que me serviram para desenvolver a personagem, refinar o traço e o humor. Em paralelo, eu mesmo editava as coletâneas de tiras numa série de revistas que teve 10 edições e um um livro, A maior das subversões. Posteriormente lancei o álbum Olhai os lírios do campo, mais o livro Espirituosa, há 30 anos e duas edições da revista Maria Magazine. Apesar desse investimento independente, ressinto-me de Maria não ter tido uma grande edição nacional, que a levasse a um público mais diverso que o dos fanzines.

6. Fale sobre suas outras publicações, como Top! Top!, Mandala e Quiosque.Estas publicações são fruto de um amadurecimento editorial em conseqüência de minhas produções independentes de revistas, livros, álbuns e fanzines. Elas vieram com a elaboração do projeto da editora Marca de Fantasia, que falaremos mais à frente.Top! Top! foi minha volta aos fanzines, depois de uma temporada na França. Nele eu segui o mesmo esquema de minhas publicações anteriores, os fanzines Marca de Fantasia, editado em João Pessoa e São Paulo, em parceria com Sandra Albuquerque, e Nhô-Quim, cujo primeiro número foi feito junto com José Carlos Ribeiro, de Carlos Barbosa, RS, editor do fanzine PolítiQua. Top! Top! responde a minha necessidade de trabalhar o texto jornalístico, investigando vários aspectos das histórias em quadrinhos com pesquisa, artigos, entrevistas e resenhas.Mandala, que inicialmente chamou-se Tyli-Tyli, surgiu para preencher uma lacuna editorial. Observei que havia uma grande produção de quadrinhos poéticos, também chamados filosóficos, circulando em fanzines dispersos. Minha intenção foi reunir esses quadrinhos em uma revista própria, dando-lhes coesão e visibilidade. O núcleo que formou essa revista foi composto por Flávio Calazans, Edgar Franco e Gazy Andraus, a quem vieram se juntar muitos novos autores que encontraram na Mandala seu espaço privilegiado para expressão.A Quiosque é uma revista de análise das mídias, voltada para o meio jornalístico e de comunicação. Serve para dar vazão aos artigos produzidos por professores e estudantes do Curso de Jornalismo, mas que se encontra aberto a todos.Esse título também serviu para denominar uma coleção de livros de bolso. A coleção Quiosque, que já se encontra na 12ª edição, aborda os mais variados aspectos dos quadrinhos e expressões da cultura pop. Nessa coleção constam vários títulos voltados ao estudo dos fanzines bem como sobre quadrinhos e arquitetura, ao estudo de personagens e séries, como Miracleman e Arquivo X e a investigação sobre o que é História em Quadrinhos Brasileira.A importância da coleção Quiosque, que tem despertado grande interesse do meio acadêmico, dá-se pela carência de uma bibliografia específica sobre quadrinhos no país. As editoras comerciais também negligenciam essa área, o que nos parece uma grande falta de visão editorial.

7. Como surgiu a Marca de Fantasia?Depois de experimentar tantas publicações de forma amadora e esporádica, achei que era o momento de pensar em algo mais consistente, que pudesse responder à enorme demanda dos autores e do público. O fenômeno da criação de editoras independentes já vinha se desenvolvendo em outros países, como nos Estados Unidos da América e na Europa, em particular na França. Isto foi uma conseqüência natural do desenvolvimento dos fanzines.Haveria um momento onde se teria que avançar em direção à criação de um mercado paralelo de publicações, intermediário entre o amadorismo dos fanzines e o meio exclusivamente comercial. As editoras independentes não visam o lucro como prioridade, embora não possam abrir mão dele, para seguir com as produções mais requintadas. Mas mantêm o espírito livre e experimental dos fanzines, voltando-se à descoberta de novos valores e à investigação sobre o universo dos quadrinhos. Foram esses princípios que me levaram a criar a editora Marca de Fantasia, em 1995.

8. Sua editora é basicamente virtual. O caminho para a segmentação é a Internet?A Marca de Fantasia, apesar do sucesso inicial, chegou a um impasse crucial. Não dava mais para seguir o ritmo imposto pelas condicionantes que dispúnhamos naquele momento para a distribuição das publicações. Até o final dos anos 1990, o mais comum era se trabalhar com o mesmo processo de distribuição dos fanzines, ou seja, pela via postal. Apesar de procurarmos hoje produzir edições mais elaboradas, continuamos amadores, as tiragens continuam pequenas, o que inviabiliza uma distribuição pelas vias convencionais.Para divulgar um novo título era preciso todo um trabalho desgastante e cada vez mais caro. Primeiro era preciso anunciar o lançamento, enviando para revistas e jornais uma circular de imprensa. Ao mesmo tempo, eu fazia um cartão postal para enviar pelos correios para uma lista de leitores. Isso levava tempo, dificultava o contato e custava caro. Até a compra se efetivar era preciso percorrer um longo caminho, o que gerou o distanciamento e desinteresse do público.Vivíamos já uma época de uma comunicação mais ágil, imediata, favorecida pela popularização da Internet. A saída era transformar a editora numa livraria virtual, tirando proveito desse incrível meio de comunicação. A sobrevivência da Marca de Fantasia deve-se a sua inserção na Internet. Com este meio pude ultrapassar os limites de meus 100 leitores, chegar a um público muito mais amplo e que cresce a cada dia, como uma corrente sem fim.

9. Como você seleciona os trabalhos para publicação em sua editora?Privilegio algumas linhas de produção, como os quadrinhos humorísticos, os cartuns e eventualmente a aventura, quando esta tem um conteúdo crítico com elementos culturais autênticos. O trabalho experimental também tem vez. Dividi minha produção em algumas coleções, que definem suas linhas editoriais. São: coleção Corisco, com quadrinhos experimentais; coleção Das tiras, coração, de livros de tiras de quadrinhos e cartuns; coleção Quiosque, de livros teóricos sobre aspectos diversos dos quadrinhos e cultura pop. Excepcionalmente publico álbuns, outras revistas e livros sobre cultura nacional.Guio-me sempre pela qualidade do material, seja textual, seja gráfico e procuro dar visibilidade aos novos autores. Também procuro fazer o resgate de obras seminais, como o trabalho do cartunista paraibano Luzardo Alves e de expressões internacionais desconhecidas ou pouco conhecidas no país, como o argentino Sergio Más, a francesa Claire Bretécher, o cubano Garrincha e o português Nuno Reis.

10. Quais os planos para o futuro da Marca de Fantasia?Recebo muitos originais para publicação e sinto não poder publicá-los imediatamente. Não tenho estrutura para isso, tanto financeira quanto operacional. Faço todo o trabalho sozinho, da seleção do material à diagramação, da impressão à intercalagem, da costura ao corte, da divulgação à venda. É um trabalho, mesmo que prazeroso, muito desgastante. Preciso tomar fôlego, estabelecer um ritmo mais racional. Vinha publicando dois livros por mês, o que é muito para dar conta de toda a cadeia de produção. Tenho tentado fazer apenas um livro por mês, mas sinto uma pressão muito forte para acelerar o ritmo. Os originais clamam sua edição e os autores ficam ansiosos para ver seus trabalhos editados, o que é bem compreensível.Na coleção Quiosque temos textos de Gian Danton e Bráulio Tavares como os próximos lançamentos. Mas há muitos outros aguardando a vez. Nos quadrinhos, os próximos livros serão A turma do Xaxado, pela coleção de tiras e a reedição de Lugares In-comuns, com tiras de Jaguar, lançada originalmente na década de 1970 pela editora Codecri, do jornal O Pasquim. Estou planejando algumas parcerias para novas coleções, que podem ser anunciadas no momento oportuno.

11. Quais seus personagens preferidos no mundo dos quadrinhos?Sem dúvida, Fradim, de Henfil, Pererê e Menino Maluquinho de Ziraldo, Mafalda, de Quino, Aline, de Adão Iturrusgarai, Luluzinha, de Marge e Agripine, de Claire Bretécher.

12. Você coleciona gibis?Transformei minha coleção na Gibiteca Henfil, que dirijo em João Pessoa. Não dava mais pra guardar as revistas em casa e resolvi socializá-las. Com a abertura da Gibiteca Henfil a coleção se multiplicou rapidamente por conta das doações dos leitores. Hoje não me dedico tanto a fazer coleções, mas procuro ter algumas edições do que é mais representativo.

13. Que acha dos fanzines como publicação alternativa?Os fanzines são fundamentais para o exercício gráfico e para a troca informações. Eles certamente não acabarão jamais, mesmo enfrentando a sedução dos meios eletrônicos. Vejo cada vez mais jovens se interessando em ter sua própria publicação. Enquanto houver necessidade de expressão e liberdade de pensamento, haverá fanzine.

14. Tem acompanhado os artistas brasileiros que fazem HQ? Poderia citar algum que você admira?Edgard Guimarães é um autor muito criativo e provocador. Suas HQ publicadas em seu fanzine QI já geraram muita polêmica e envolvimento do público. Edgar Franco, Gazy Andraus e Flávio Calazans trazem um sopro de renovação e experimentação aos quadrinhos, que merecia ter uma ampla difusão. Wellington Srbek e André Diniz, além de ótimos editores, fazem um trabalho textual magnífico. Junto com Marcelo Marat, Antônio Éder e Gian Danton eles tem mostrado a capacidade de nossos roteiristas.Há que se louvar o trabalho de Cedraz, o de Lin, de Klévisson, de J. Marreiro, enfim, tem muita gente boa produzindo, que é injusto e antipático ficar citando alguns.

15. Existe futuro para os quadrinhos brasileiros aqui no nosso país, ou teremos sempre que bater nas portas americanas?Há futuro, sim, desde que tomemos as rédeas da produção. É hora de pensarmos na profissionalização. Alguém tem que substituir essa geração conservadora que domina o meio editorial nacional. Não é o caso de tomarmos seus lugares, mas de criarmos os nossos. A editora Circo provou que isso é possível. Basta organização, uma certa visão empresarial, criatividade e perseverança.

16. Muitos acham que a HQ Brasil não funciona por falta de bons roteiristas. Qual sua opinião sobre isso?O melhor dos quadrinhos que está sendo lançado no Brasil está no meio independente. São bons roteiristas e desenhistas que não encontram espaço nas editoras. Sem xenofobia, é preciso olhar e valorizar o que temos em casa.

17. Muitos artistas estão buscando a Internet para divulgar seus trabalhos. Esse é sem dúvida o caminho alternativo para se publicar HQ?A Internet, para mim, serve mais como veículo que como meio. Embora seja um ótimo veículo para a difusão de tudo, inclusive de quadrinhos, o meio impresso continua sendo fundamental. Não creio que o meio virtual substituirá o livro impresso, o jornal, a revista e os álbuns de quadrinhos.

18. Henrique Magalhães já procurou alguma editora para mostrar seus trabalhos?Certa vez procurei a Grafipar, quando ela já havia esgotado sua capacidade produtiva. Não houve interesse por Maria. O tipo de quadrinhos que eu faço não tem veículos adequados para a sua difusão, que seriam as revistas de humor e de tiras. Para a edição de álbum já tive duas propostas que não foram adiante, mais por causa de minha sobrecarga de trabalho que por desinteresse dos editores. Eu não queria apenas fazer uma compilação de tiras. Como não tive tempo para produzir algo novo, o projeto parou.

19. O editor brasileiro é mesmo imediatista nos lucros?Não só imediatista quanto limitado. Sua visão não ultrapassa os modismos importados, como as infinitas sagas de super-heróis, que já são decadentes no próprio país de origem, ou ainda os quadrinhos japoneses, que se apóiam na sedução midiática dos desenhos animados. Quanta coisa boa, em nível mundial, não conhecemos por causa da mediocridade dos editores! A França e a Espanha têm um mundo de quadrinhos que certamente, se tivéssemos acesso, contribuiriam de forma fundamental para a formação de nossos autores e do público.

20. Qual sua opinião sobre uma lei de reserva de mercado para os quadrinhos? Apesar de ter participado efetivamente junto à AQC (Associação de Quadrinhistas e Caricaturistas) do Estado de São Paulo na década de 1980 pela aprovação de uma lei de reserva de mercado para os quadrinhos brasileiros, acho que esta não é a melhor solução. Não é por decreto que se vai criar mercado. Além do desinteresse dos editores, a realidade é que nossos quadrinhos são caros, e há uma justificativa para isso. Os quadrinhos estrangeiros são distribuídos massivamente, por meio dos "syndicates", o que os torna muito baratos. Os autores brasileiros normalmente vendem seu trabalho para uma única publicação, ou, no caso das tiras, para um número muito limitado de jornais. Para sobreviver, o autor nacional tem que cobrar o preço justo de sua arte, ou até bem menos, o que ainda é muito caro para concorrer com o material importado. Certa vez Henfil falou que o ideal seria taxar os quadrinhos importados para que os nossos pudessem concorrer mais ou menos em pé de igualdade com eles. Ainda assim, para mim, haveria uma brutal desigualdade, pois as personagens estrangeiras chegam aqui cercadas por uma grande estrutura mercadológica, associadas a diversas mídias, como desenhos animados para TV, filmes de cinema, bonecos e todo tipo de insersão em objetos comerciais. Além da taxação dos quadrinhos estrangeiros, penso que se deve criar estruturas de distribuição com a mesma estrutura dos "syndicates", bem como promover a criação de associações e editoras independentes.

21. Suas considerações finais:A luta é árdua e constante, mas quanto prazer nos dá esse mundo dos quadrinhos! Devo a ele boa parte do que sou, minha disposição de luta, minha visão de mundo, minha motivação. Precisa ser mais importante que isso?

* Alex Sampaio é editor do fanzine Made in Quadrinhos, colecionador de gibis e colunista desse blogger.

11/04/2009

As Diretrizes das Histórias em Quadrinhos

Por: Emir Ribeiro*

As diretrizes fixadas para a publicação das histórias em quadrinhos estão tomando o caminho errado. Edito revistas e fanzines desde 1978 e coleciono quadrinhos desde 1967. São mais de 30 anos de experiência e prática. Nesse tempo, pude perceber que o público leitor brasileiro gosta de personagem fixo e não histórias avulsas. Tome-se por base a Kripta da RGE, de longa vida; Tex, no tempo da Vecchi, da Globo e hoje na Mythos; mesmo a linha Vertigo da Abril, mais intelectualizada, apresentava personagens fixos, como Hellblaizer; os heróis da Marvel e DC que nunca pararam de circular até hoje. Agora cite-me uma revista de HQ avulsa sem personagem fixo com vida longa...

O público brasileiro adora novela. Gosta de acompanhar a vida dos personagens como se fossem amigos. O público torce por eles, se empolga com as coisas boas que acontecem. Quem não se emocionou com o casamento do Fantasma? Quem não se angustiou com a morte de Gwen Stacy no Homem Aranha da EBAL? Quem não se penalizou com Frank Drake quando sua Jean se transformou em vampira e teve de ser morta, na Tumba de Drácula da Bloch? Quem não se chocou ao saber que o Dr. Alec Holland morrera e o Monstro do Pântano era só uma planta na aula de anatomia? A persistir a atual política editorial, este filão não poderá mais ser explorado.

Não adianta escrever histórias destinadas a intelectuais. Elas devem ser compreendidas também por gente mais simples. Se o texto não arrancar do leitor algum tipo de sentimento de identificação pessoal, ele fracassa.

Não é preciso encher a revista de personagens fixos, mas sim, destinar uma porcentagem das páginas a eles. O rigor deverá ser maior na seleção dos desenhos. Existem bons textos com desenhos sofríveis. Bons desenhos sempre cativam o leitor. As primeiras histórias a serem lidas devem ser sempre as melhores, para ‘pegar’ o leitor logo no primeiro momento que folhear a revista.

*Emir é o autor da personagem Velta, editor de vários fanzines e colecionador de gibis.